Economia • 15:35h • 31 de julho de 2026
Calor intenso, chuvas extremas e impactos na agricultura: especialistas já alertam para possível Super El Niño
Entenda os riscos de ondas de calor, chuvas intensas, perdas nas lavouras e aumento no custo da energia elétrica caso o fenômeno se confirme nos próximos meses
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mem Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
A possibilidade de um Super El Niño ganhar força no segundo semestre de 2026 acende um alerta para diferentes setores da sociedade. Se as previsões se confirmarem, o fenômeno poderá provocar temperaturas mais elevadas, mudanças no regime de chuvas, impactos na produção agrícola e reflexos diretos na saúde da população e no custo de vida.
Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 81% de probabilidade de o fenômeno atingir forte intensidade entre outubro e dezembro, alterando significativamente o clima em diversas regiões do planeta, incluindo o Brasil.
Calor extremo aumenta riscos à saúde
De acordo com o médico Luiz Fernando Machado, professor do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado, o organismo humano precisa manter a temperatura corporal em equilíbrio e, durante ondas intensas de calor, esse esforço pode colocar a saúde em risco.
Segundo Machado, a desidratação é uma das primeiras consequências do estresse térmico, provocando perda de líquidos e sais minerais e aumentando a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.
"O processo de aclimatação ao calor extremo provoca mudanças fisiológicas cruciais, como a elevação da sudorese, resultando na perda de sais minerais e induzindo rapidamente à desidratação, o que sobrecarrega o sistema circulatório", explica.
O especialista destaca que idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais vulneráveis. Em situações mais graves, o calor excessivo pode favorecer desmaios, insolação, infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
LEIA TAMBÉM: O calor que assusta a Europa pode ser o prenúncio do próximo verão no interior de São Paulo
Chuvas intensas favorecem doenças
Se por um lado algumas regiões poderão enfrentar longos períodos de estiagem, outras devem registrar chuvas acima da média.
Após enchentes e alagamentos, cresce o risco de doenças como leptospirose, causada pelo contato com água contaminada pela urina de ratos, além de hepatite A, gastroenterites e infecções de pele.
Nos dias seguintes às chuvas, o acúmulo de água parada também favorece a proliferação do Aedes aegypti, aumentando o risco de dengue, zika e chikungunya.
Entre as recomendações estão manter boa hidratação, evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, utilizar roupas leves, eliminar focos de água parada e evitar contato com áreas alagadas.
Agricultura pode sofrer com excesso de chuva e estiagens
Os efeitos do Super El Niño também preocupam o agronegócio.
Segundo o engenheiro-agrônomo Marcelo Henrique Savoldi Picoli, coordenador do curso de Agronomia do Centro Universitário Integrado, o fenômeno tende a provocar impactos diferentes conforme a região.
No Sul, o excesso de chuvas pode dificultar o uso de máquinas agrícolas, atrasar o plantio e favorecer doenças causadas por fungos e bactérias.
Já em áreas do Norte, Nordeste e partes do Centro-Oeste e Sudeste, os chamados veranicos, períodos prolongados de estiagem durante a estação chuvosa, podem comprometer culturas dependentes exclusivamente das chuvas.
Embora a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projete uma safra recorde de 358,6 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2025/2026, especialistas alertam que uma intensificação do fenômeno pode provocar perdas de produtividade e dificuldades logísticas.
LEIA TAMBÉM: El Niño pode bagunçar chuvas e elevar calor; veja quais culturas entram em alerta
Clima pode pesar no bolso do consumidor
Além dos reflexos na produção agrícola, o fenômeno poderá impactar diretamente o orçamento das famílias.
Quebras de safra tendem a pressionar os preços de alimentos, enquanto períodos prolongados de seca podem reduzir os níveis dos reservatórios das hidrelétricas, aumentando a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, cuja geração possui custo mais elevado.
Para reduzir os impactos no campo, especialistas recomendam práticas como conservação do solo, plantio direto, escalonamento das lavouras, monitoramento constante das previsões meteorológicas e contratação de seguro rural.
Segundo Marcelo Picoli, planejamento antecipado e adaptação serão fundamentais caso o Super El Niño se confirme nos próximos meses.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro