Variedades • 18:48h • 30 de julho de 2026
O calor que assusta a Europa pode ser o prenúncio do próximo verão no interior de São Paulo
Especialistas alertam que eventos extremos registrados no continente europeu reforçam a necessidade de preparação no Brasil, onde o fortalecimento do El Niño pode favorecer ondas de calor, queimadas e períodos de estiagem
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tamer Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
As cenas de cidades europeias enfrentando temperaturas acima de 40ºC, incêndios florestais e milhares de pessoas afetadas pelo calor extremo parecem distantes da realidade brasileira. No entanto, especialistas afirmam que o cenário serve como um alerta para o que pode ocorrer nos próximos meses, especialmente em estados como São Paulo, onde os termômetros frequentemente alcançam marcas semelhantes durante o verão.
Para moradores do interior paulista, onde cidades registram facilmente temperaturas próximas ou superiores aos 40ºC entre a primavera e o verão, o momento é de atenção. As projeções climáticas indicam que o fenômeno El Niño deverá continuar influenciando o clima brasileiro até o início de 2027, aumentando a probabilidade de eventos extremos.
Europa vive um retrato do que o clima pode provocar
Nas últimas semanas, países como Alemanha, Espanha, França, Portugal e Itália enfrentaram uma intensa onda de calor, com temperaturas superiores a 40ºC.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o episódio já está associado a mais de 1,3 mil mortes, além de impactos sobre hospitais, transporte público, escolas, agricultura e infraestrutura.
O calor intenso também favoreceu grandes incêndios florestais. França, Espanha e Portugal registraram focos que já consumiram cerca de 17 mil hectares de vegetação, exigindo evacuações e mobilizando milhares de bombeiros.
Interior paulista precisa acompanhar os alertas
Embora o Brasil esteja no inverno, especialistas afirmam que os sinais observados no Hemisfério Norte ajudam a compreender o comportamento do clima em escala global.
De acordo com o primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), existe mais de 90% de probabilidade de permanência do fenômeno até o início do próximo ano.
Esse cenário pode favorecer temperaturas acima da média histórica em grande parte do Centro-Norte do país e aumentar o risco de ondas de calor, estiagens prolongadas e incêndios florestais.
Para cidades do interior de São Paulo, onde o calor intenso costuma marcar presença entre setembro e março, o alerta ganha ainda mais importância.
Além do desconforto, temperaturas extremas elevam o risco de desidratação, insolação, agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, além de aumentarem o consumo de energia elétrica e a pressão sobre os sistemas de abastecimento de água.
Preparação deve começar antes do verão
Na avaliação de Carlos Rittl, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e diretor global de Políticas Públicas para Florestas e Mudanças Climáticas da Wildlife Conservation Society, esperar que as emergências aconteçam para agir já não é suficiente.
"Além da urgência em cortar as emissões de gases de efeito estufa, não podemos mais esperar as emergências para agir. Precisamos de políticas, estratégias e medidas de adaptação que reduzam a vulnerabilidade das cidades, da população e dos ecossistemas diante de um clima cada vez mais hostil", afirma.
Segundo ele, um possível fortalecimento do El Niño poderá provocar secas mais severas na Amazônia, no Nordeste e no Centro-Oeste, além de favorecer ondas de calor e episódios de chuvas intensas no Sul e no Sudeste.
Cidades mais verdes ajudam a enfrentar temperaturas extremas
Especialistas defendem que a adaptação climática passa por medidas capazes de reduzir a temperatura nas áreas urbanas antes mesmo da chegada dos períodos mais quentes.
Entre as principais ações estão a ampliação da arborização, a preservação de áreas verdes, a recuperação de nascentes e a adoção das chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que ajudam a diminuir as ilhas de calor e tornam as cidades mais resilientes às mudanças climáticas.
O tema também já mobiliza o Ministério da Saúde, que lançou recentemente um painel nacional para monitorar episódios de calor extremo e auxiliar estados e municípios na adoção de medidas preventivas.
Para os especialistas, a experiência vivida hoje pela Europa reforça que o planejamento não deve começar quando os termômetros já estiverem próximos dos 40ºC. Em regiões como o interior paulista, onde esse cenário faz parte da rotina de muitos verões, preparar cidades e moradores pode ser decisivo para reduzir impactos sobre a saúde, o meio ambiente e a qualidade de vida.
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