Variedades • 07:22h • 15 de julho de 2026
El Niño pode bagunçar chuvas e elevar calor; veja quais culturas entram em alerta
Fenômeno pode elevar temperaturas e tornar as chuvas mais irregulares; setembro será um dos períodos de maior atenção para o plantio da soja no Brasil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O fortalecimento do El Niño deve elevar os riscos climáticos para a agricultura global entre julho e setembro de 2026. Temperaturas acima da média e mudanças na distribuição das chuvas podem afetar importantes regiões produtoras e culturas como soja, café, açúcar, algodão, trigo e cacau, segundo análise da 36ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX.
Após uma rápida transição da neutralidade para um El Niño fraco entre março e maio, projeções climáticas indicam a intensificação do fenômeno nos próximos meses. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) projeta anomalias próximas de 2,0ºC no Pacífico equatorial, patamar compatível com um evento de forte intensidade.
O aquecimento anormal das águas do Pacífico tropical modifica a circulação atmosférica e pode deslocar áreas de formação de nuvens. O resultado é uma distribuição mais irregular das chuvas e mudanças de temperatura em diferentes regiões agrícolas do planeta.
Setembro coloca plantio da soja em alerta
No Brasil, um dos principais pontos de atenção estará na recuperação da umidade do solo no Centro-Oeste e Sudeste. Agosto e setembro serão importantes para a preparação das áreas que receberão a safra de verão.
Para a soja, setembro será especialmente sensível. Se as chuvas retornarem de forma irregular, produtores podem enfrentar atrasos na semeadura e dificuldades no desenvolvimento inicial das lavouras.
“O mês de setembro é decisivo para o plantio da soja no Brasil. A combinação entre temperaturas elevadas e retorno irregular das chuvas pode comprometer a uniformidade da implantação das lavouras e aumentar os riscos para o potencial produtivo da safra”, explica Carolina Giraldo, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
Calor também aumenta pressão sobre as lavouras
A previsão de temperaturas acima da média amplia o risco de ondas de calor em áreas agrícolas da América do Sul, América do Norte, Ásia e Oceania. Brasil, Paraguai, Bolívia, Argentina, Estados Unidos, Índia, China e Austrália estão entre os países que exigem maior acompanhamento.
O calor persistente aumenta a necessidade de água das plantas e pode acelerar o desenvolvimento das culturas. Quando temperaturas elevadas coincidem com períodos de floração ou enchimento de grãos e baixa umidade no solo, o potencial produtivo pode ser prejudicado.
Café, açúcar e trigo enfrentam riscos diferentes
No café brasileiro, possíveis chuvas acima da média durante julho e agosto podem interferir na secagem e na qualidade dos grãos em período de colheita. Em setembro, a atenção se volta às floradas, dependentes de condições adequadas de umidade e temperatura.
No Centro-Sul do país, a produção de açúcar pode enfrentar interrupções na colheita caso as chuvas fiquem acima do normal. Para o trigo cultivado no Sul do Brasil, o excesso de umidade pode favorecer doenças nas lavouras.
Algodão e cacau também aparecem entre as commodities monitoradas. Na África Ocidental e na Indonésia, áreas produtoras de cacau podem enfrentar maior irregularidade das chuvas e estresse hídrico. No sul da Bahia, produtores também acompanham os possíveis efeitos do El Niño.
Previsão indica risco, não impacto garantido
A StoneX ressalta que as projeções climáticas trabalham com probabilidades e não significam perdas agrícolas inevitáveis. O impacto dependerá da combinação entre chuva, temperatura e o estágio de desenvolvimento de cada cultura.
Regiões que enfrentarem calor intenso e precipitação abaixo da média terão maior risco de estresse hídrico. Em áreas com excesso de chuva, os problemas podem aparecer na colheita, nas operações agrícolas e no aumento da incidência de doenças.
Com o El Niño ganhando força, o trimestre entre julho e setembro será decisivo para diferentes cadeias do agronegócio. No Brasil, os olhos estarão especialmente voltados ao retorno das chuvas e ao início do plantio da soja.
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