Educação • 17:01h • 10 de setembro de 2026
Novo levantamento mostra filas, acessibilidade e atendimento de 530 alunos da Educação Especial em Assis
Novo levantamento detalha outros diagnósticos além do TEA, atendimento no AEE, transporte adaptado e acessibilidade das escolas; município também prepara política própria para a área
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Arquivo/Âncora1
Depois de revelar que 399 estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão matriculados na rede municipal de Assis, novos dados da Prefeitura ampliam o retrato da Educação Especial na cidade. Ao todo, são 530 alunos considerados público-alvo da Educação Especial, entre eles estudantes com deficiência intelectual, física, visual, auditiva, múltipla e altas habilidades ou superdotação. O documento também mostra que 136 alunos ainda aguardam consulta de avaliação médica.
As informações foram encaminhadas pela Prefeitura à Câmara em resposta ao Requerimento 622/2026 e complementam os dados apresentados anteriormente pelo município, solicitados pelo vereador Fernando Kiko. Como alguns estudantes possuem mais de uma identificação, a soma dos diferentes diagnósticos não corresponde necessariamente ao total de 530 matrículas.
Além dos 399 estudantes com TEA, a rede contabiliza 65 com deficiência intelectual, 19 com deficiência física, sete com deficiência visual, dois com deficiência auditiva, 14 com deficiência múltipla e 24 identificados com altas habilidades ou superdotação.
136 alunos ainda aguardam avaliação médica
A Prefeitura informou que não mantém uma fila de espera para avaliação pedagógica. A identificação das necessidades educacionais começa na própria escola, com observação, acompanhamento e avaliação pedagógica realizados pela equipe escolar.
A situação é diferente na avaliação médica. O município mantém parceria com a Unimed e com a equipe de Saúde Mental da rede municipal. Até o levantamento, 113 estudantes haviam sido atendidos, enquanto outros 136 ainda aguardavam consulta de avaliação médica. O documento não informa o tempo médio dessa espera.
Já para avaliação psicopedagógica, a Prefeitura informou não haver nenhum aluno aguardando. O município também afirma possuir protocolo de triagem e acompanhamento disponível internamente às escolas, com encaminhamentos ao Departamento de Educação Especial.
AEE atende em média 420 estudantes
O Atendimento Educacional Especializado (AEE) alcança, em média, 420 alunos, além daqueles atendidos pelo AEA no município e por entidades parceiras. A rede possui 37 professores de AEE, sendo dois volantes.
A Prefeitura reconhece que existe demanda de atendimento no AEE e nas Salas de Recursos quando a capacidade instalada não é suficiente para receber imediatamente todos os estudantes identificados. Nesses casos, os alunos permanecem matriculados e frequentando normalmente a escola enquanto a Secretaria de Educação adota procedimentos para ampliar a oferta, como abertura de novas salas de recursos ou contratação de professores.
O atendimento ocorre em diferentes unidades da rede e funciona das 7h às 12h e das 12h30 às 17h30.
Assis tem 20 veículos adaptados para transporte escolar
Outro dado apresentado é a existência de transporte escolar adaptado. A rede municipal dispõe de 20 veículos e informa que todos os estudantes matriculados nos serviços oferecidos pela Secretaria Municipal da Educação podem utilizar o transporte escolar, sendo que a maioria faz uso do serviço.
Segundo a Prefeitura, não existe lista de espera para esse atendimento.
Na estrutura física, o município afirma que todas as escolas possuem banheiros adaptados, rotas acessíveis e a sinalização exigida pelos Bombeiros. A acessibilidade arquitetônica, porém, ainda não está integralmente concluída em todas as unidades.
Escola João Mendes Jr. ainda não tem rampa na entrada
A EMEF João Mendes Jr. é apontada pela própria Prefeitura como a principal exceção identificada em relação à acessibilidade arquitetônica. A unidade ainda não dispõe de rampa de acesso na entrada que permita chegar às salas de aula.
Segundo o documento, a situação está sendo considerada no processo de adequação da infraestrutura escolar. Nas demais unidades, a Prefeitura informa que a acessibilidade arquitetônica está presente em sua grande maioria.
O piso tátil também não está instalado em todas as escolas. A Secretaria afirma que atualmente há apenas uma criança com cegueira na rede e que ela ainda está em processo de desenvolvimento e treinamento de habilidades de orientação e mobilidade. Após essa etapa e a definição da unidade em que permanecerá matriculada, está prevista a adequação necessária, incluindo a instalação do piso tátil.
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Município ainda não possui política de Educação Especial instituída por lei
Assis ainda não possui uma Política Municipal de Educação Especial e Inclusiva formalmente instituída por lei. Segundo a Prefeitura, o município está construindo e institucionalizando essa política por meio de uma comissão especial criada pelo Decreto Municipal nº 9.772, de 1º de setembro de 2025.
O trabalho deverá resultar na elaboração de um projeto de lei para oficializar a política municipal. A administração afirma que a proposta pretende transformar ações e serviços já existentes em política pública permanente, buscando assegurar continuidade independentemente de mudanças de gestão.
O acompanhamento dos serviços é realizado por supervisores de ensino, equipes gestoras das escolas e pelo Departamento de Educação Especial, com participação das famílias e da comunidade escolar. A Prefeitura informou ainda que não existe atualmente um programa específico de auditorias periódicas formalmente instituído para os serviços de Educação Inclusiva.
Mais de 700 profissionais participaram de formações
A rede informou que mais de 700 profissionais participaram de cursos e atividades de formação em 2025 e 2026. Os conteúdos abordaram temas como TEA, altas habilidades e superdotação, deficiência visual, educação de surdos, Atendimento Educacional Especializado, Desenho Universal para a Aprendizagem, acessibilidade, neurociência, direitos humanos e educação inclusiva.
Segundo o município, existe um programa permanente de formação continuada integrado à rotina dos profissionais da Educação, com atividades realizadas durante Horários de Estudos, encontros bimestrais do Conselho Participativo e momentos institucionais de planejamento e replanejamento.
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