Economia • 19:36h • 09 de fevereiro de 2026
Whisky, chope e fantasias lideram ranking de produtos mais tributados no Carnaval
Levantamento com base no Impostômetro mostra que bebidas e adereços carnavalescos seguem com alta carga tributária e pressionam o orçamento dos foliões em 2026
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da ACSP | Foto: Arquivo/Âncora1
O Carnaval de 2026 deve pesar mais no bolso dos brasileiros. Levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), com base em dados do Impostômetro, ferramenta do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), revela que impostos podem representar até 56,40% do preço final de produtos típicos da folia, como bebidas alcoólicas e itens de fantasia, mantendo o consumo sob forte pressão tributária.
De acordo com o estudo, os cinco produtos mais tributados no período carnavalesco são o whisky, o chope, a máscara de lantejoulas, a caipirinha e a cachaça. No topo da lista aparece o whisky, com carga tributária de 56,40%. Em seguida, estão o chope, com 44,39%, e a máscara de lantejoulas, que chega a 46,38% de impostos embutidos no preço.
Também figuram entre os itens com maior incidência de tributos a fantasia de Carnaval, com 45,66%, as bijuterias, com 42,43%, e o colar havaiano, que tem 38,97% do valor final destinado a impostos.
Segundo o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV/ACSP), o cenário tributário para os produtos consumidos durante o Carnaval praticamente não se alterou em relação ao último ano. “A carga tributária sobre os produtos da folia continua muito elevada. Como não houve mudanças relevantes nas alíquotas, os preços seguem altos, impactando diretamente o orçamento das famílias neste início de ano”, avalia.
Ruiz de Gamboa explica que a elevada tributação decorre da própria estrutura do sistema tributário brasileiro, que concentra impostos sobre o consumo. No caso das bebidas alcoólicas, parte da carga é frequentemente associada a políticas de desestímulo ao consumo excessivo. No entanto, o economista destaca que não há justificativa clara para a incidência tão alta sobre itens recreativos e de baixo valor agregado.
“Produtos como máscaras de plástico, máscaras de lantejoulas e fantasias chegam a ter quase metade do preço comprometido com tributos, sem que exista um argumento regulatório consistente para isso”, afirma.
Para o consumidor, a recomendação é buscar alternativas para reduzir gastos. “Reutilizar fantasias, adaptar peças de anos anteriores e usar a criatividade pode ser uma forma de driblar o peso dos impostos e aproveitar a festa sem comprometer tanto o orçamento”, orienta o economista.
O levantamento também reforça um debate recorrente sobre o modelo tributário brasileiro. “A carga tributária do Brasil é comparável à de países como a Grã-Bretanha, mas a renda por habitante aqui é muito inferior. Isso faz com que o impacto dos impostos sobre o consumo seja proporcionalmente mais pesado para o cidadão”, conclui Ruiz de Gamboa.
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