Saúde • 07:22h • 14 de abril de 2026
Vírus sincicial também traz risco para idosos, alertam especialistas
Casos do VSR devem aumentar no segundo trimestre
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O aumento dos casos de influenza A tem gerado preocupação, mas não é o único vírus que ameaça a saúde dos brasileiros. No primeiro trimestre deste ano, dados do Ministério da Saúde indicam que 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com identificação viral foram causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR), ainda pouco conhecido pela população.
A tendência é de crescimento ao longo do ano. Entre fevereiro e março, o VSR respondeu por 14% dos casos com vírus identificado, segundo o boletim Infogripe, da Fiocruz. Já no período de março a abril, essa proporção subiu para 19,9%. Em 2025, o vírus chegou a ser o mais prevalente por 23 semanas consecutivas, entre março e agosto.
Dados de laboratórios privados também reforçam o avanço. Na semana encerrada em 4 de abril, 38% dos testes positivos para vírus respiratórios apontaram o VSR — um aumento de 12 pontos percentuais em relação ao início de março, de acordo com o Instituto Todos pela Saúde.
Especialistas alertam, porém, que os números podem estar subestimados. A pneumologista Rosemeri Maurici, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), afirma que os dados representam apenas uma parte do problema, já que a testagem para o vírus passou a ser mais frequente no Brasil apenas após a pandemia de covid-19.
Muitos casos graves, inclusive com mortes, podem ocorrer sem identificação do agente causador, seja por falta de testes ou por realização fora do período ideal de detecção. No primeiro trimestre, por exemplo, dos cerca de 27,6 mil casos de SRAG registrados, apenas um terço teve o vírus identificado, e quase 17% sequer foram testados.
Embora o VSR seja conhecido principalmente por causar bronquiolite em bebês, ele também afeta adultos e idosos. Entre janeiro e março, dos 1.651 casos graves registrados, a maioria ocorreu em crianças menores de dois anos. No entanto, a baixa detecção em adultos pode estar relacionada à rápida redução da carga viral após os primeiros dias de infecção, o que dificulta o diagnóstico.
Apesar disso, os dados de mortalidade mostram impacto relevante entre idosos. Das 27 mortes registradas neste ano, 17 foram em bebês e sete em pessoas com mais de 65 anos. O envelhecimento do sistema imunológico e a presença de doenças crônicas aumentam o risco de complicações.
Idosos são mais vulneráveis a quadros graves, e o VSR apresenta riscos ainda maiores. Estudos indicam que pacientes mais velhos infectados pelo vírus têm 2,7 vezes mais chance de desenvolver pneumonia e o dobro de risco de precisar de internação em UTI, ventilação mecânica ou de evoluir para óbito, em comparação com a influenza.
A presença de comorbidades agrava ainda mais o cenário. Doenças cardiovasculares estão associadas a mais de 60% dos casos graves ligados ao VSR. Infecções virais podem desencadear eventos como infarto, AVC e agravamento de insuficiência cardíaca, devido à inflamação sistêmica.
Pessoas com diabetes também estão entre os grupos de maior risco, já que níveis elevados de glicose favorecem infecções e complicações. Além disso, pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma grave e DPOC, têm maior probabilidade de internações recorrentes e perda acelerada da função pulmonar.
A prevenção por meio da vacinação já é uma realidade, mas, no caso dos adultos, os imunizantes contra o VSR ainda estão disponíveis apenas na rede privada. No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina é oferecida apenas para gestantes, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
Entidades médicas recomendam a vacinação para pessoas entre 50 e 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos. Especialistas defendem que grupos prioritários sejam indicados para avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), visando ampliar o acesso à imunização no sistema público.
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