Variedades • 18:33h • 07 de abril de 2026
Vídeos de agressão viralizam e expõem banalização da violência contra mulheres
Especialista aponta que exposição constante a conteúdos agressivos pode reduzir empatia e normalizar comportamentos violentos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da NQM Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O crescimento de conteúdos que expõem, ridicularizam ou banalizam a violência contra mulheres nas redes sociais tem acendido um alerta entre especialistas. Vídeos, memes e publicações que tratam agressões como humor ou entretenimento têm circulado com frequência, especialmente entre adolescentes, em um cenário que levanta preocupações sobre o impacto desse consumo no comportamento e na formação emocional de uma geração.
Dados recentes reforçam a gravidade do contexto. Segundo o relatório “Elas Vivem: um caminho de luta”, da Rede de Observatórios da Segurança, 12 mulheres são vítimas de violência por dia no Brasil. Já o Conselho Nacional de Justiça aponta crescimento de 3,49% nos casos em relação ao mesmo período do ano anterior, além de aumento expressivo nos processos de feminicídio nos últimos cinco anos.
Para Sheron Mendes, bióloga, especialista em Neurociência do Comportamento e professora da Uninter, o ambiente digital tem contribuído para um processo de normalização da violência. “O problema não é apenas o conteúdo, mas a forma como ele é recebido. Quando a agressão passa a ser vista como algo comum ou até engraçado, há uma mudança na forma como o cérebro interpreta essas situações”, explica.
Teoria Social Cognitiva
Esse fenômeno pode ser compreendido a partir da Teoria Social Cognitiva, do psicólogo Albert Bandura, que descreve o chamado desengajamento moral. Trata-se de um mecanismo pelo qual indivíduos deixam de reagir emocionalmente ao sofrimento alheio, passando a justificar ou ignorar comportamentos violentos.
Nas redes sociais, esse processo é potencializado por linguagem que suaviza a agressão. Termos, ironias e formatos humorísticos reduzem o impacto da violência, fazendo com que conteúdos ofensivos pareçam aceitáveis ou até normais. Com o tempo, a repetição diminui a reação de indignação e pode levar à tolerância e até à reprodução desses comportamentos.
A neurociência também ajuda a explicar esse cenário. Estudos sobre desenvolvimento cognitivo indicam que o cérebro de adolescentes ainda está em formação, especialmente em áreas responsáveis pelo controle emocional, empatia e julgamento. Isso significa que a exposição constante a determinados conteúdos pode influenciar diretamente a forma como esses jovens percebem o mundo e se relacionam com ele.
Comportamento em grupo
Em ambientes digitais, a responsabilidade individual tende a se diluir. Curtidas, compartilhamentos e comentários reforçam a ideia de aceitação coletiva, reduzindo a percepção de impacto das ações.
Além disso, especialistas apontam a presença de narrativas que transferem a responsabilidade da violência para a vítima, reforçando estereótipos e justificando agressões. Esse tipo de discurso contribui para um processo de desumanização, no qual a pessoa deixa de ser vista como indivíduo e passa a ser tratada como um rótulo.
Levantamento do Instituto DataSenado, realizado com cerca de 22 mil mulheres em 2025, mostra que 88% afirmam já ter sofrido violência psicológica. Para especialistas, esse dado reforça que a violência física é apenas a face mais visível de um problema que começa em discursos, piadas e conteúdos aparentemente inofensivos.
O avanço desse tipo de comportamento nas redes aponta para um desafio mais amplo. Quando a violência deixa de causar estranhamento e passa a ser consumida como entretenimento, o impacto não se limita ao ambiente digital, mas se estende à forma como a sociedade compreende e reage a essas situações.
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