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Saúde • 09:40h • 02 de junho de 2026

Vapes cada vez mais discretos preocupam especialistas e podem elevar casos de câncer entre jovens

Com formatos que imitam acessórios do dia a dia e recursos tecnológicos voltados ao público jovem, os cigarros eletrônicos avançam no Brasil apesar da proibição. Especialistas alertam para o aumento da dependência de nicotina e para os riscos à saúde, incluindo câncer, doenças respiratórias e cardiovasculares

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O cigarro eletrônico continua proibido no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas, apesar da proibição da comercialização de vapes no Brasil desde 2009, o uso desses dispositivos cresceu de forma acelerada. Os produtos são comprados com facilidade em redes sociais, sites e no comércio informal.
O cigarro eletrônico continua proibido no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mas, apesar da proibição da comercialização de vapes no Brasil desde 2009, o uso desses dispositivos cresceu de forma acelerada. Os produtos são comprados com facilidade em redes sociais, sites e no comércio informal.

Os cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, estão se tornando cada vez mais sofisticados e discretos, o que tem contribuído para o aumento do consumo entre adolescentes e jovens. O alerta é da Fundação do Câncer, que vê com preocupação o avanço desses dispositivos no país e os impactos que eles podem causar na saúde da população nos próximos anos.

A preocupação coincide com o tema escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio: “Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco”.

Embora a venda de cigarros eletrônicos seja proibida no Brasil desde 2009 por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os produtos continuam circulando amplamente por meio de redes sociais, sites e comércio informal. Somente nos dois primeiros meses de 2026, a Receita Federal apreendeu mais de 238 mil unidades desses dispositivos, uma média superior a quatro mil aparelhos por dia.

Tecnologia e disfarces ajudam a atrair os jovens

Uma das principais preocupações dos especialistas é a forma como os vapes vêm sendo apresentados ao público. Muitos modelos não possuem cheiro forte, produzem pouco vapor visível e utilizam aromatizantes que mascaram a presença da nicotina.

Além disso, novos formatos tornam os dispositivos quase imperceptíveis. Alguns são integrados a acessórios e até mesmo a peças de roupa. Entre os exemplos estão moletons com vaporizadores embutidos, em que o bocal fica escondido no cordão do capuz, permitindo o consumo de nicotina sem chamar atenção.

Segundo especialistas, esses recursos facilitam o uso em locais como escolas, transporte público e ambientes fechados, aumentando o risco de dependência precoce. A avaliação é de que a indústria tem incorporado tecnologia e design para tornar os produtos mais atrativos aos adolescentes, criando uma nova geração de dependentes de nicotina.

Para a Fundação do Câncer, esse movimento ameaça décadas de avanços obtidos pelas políticas de controle do tabagismo, que reduziram significativamente o número de fumantes no Brasil.

Crescimento do consumo acende alerta para a saúde

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) mostram que a experimentação de cigarros eletrônicos entre estudantes de 13 a 17 anos passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. Na prática, quase três em cada dez adolescentes nessa faixa etária já tiveram contato com o produto.

Além da nicotina, os dispositivos podem expor os usuários a partículas ultrafinas, compostos químicos tóxicos e metais pesados. Especialistas alertam que o uso está associado a problemas respiratórios, doenças cardiovasculares e maior risco de desenvolvimento de câncer.

Outro ponto de preocupação é o impacto da nicotina no cérebro em formação. Durante a adolescência, a substância pode afetar áreas relacionadas à aprendizagem, memória, atenção, humor e controle dos impulsos, além de aumentar a chance de dependência ao longo da vida.

A Fundação do Câncer também chama atenção para a incorporação de recursos digitais aos aparelhos. Alguns modelos possuem telas sensíveis ao toque, jogos, reprodução de música e até sistemas de mensagens. Há ainda dispositivos que emitem sinais sonoros quando ficam muito tempo sem uso, estimulando o consumo contínuo.

Especialistas avaliam que essa combinação de dependência química e interação tecnológica torna o vape mais presente na rotina dos jovens e dificulta o abandono do hábito.

Diante desse cenário, a entidade defende medidas mais rígidas para combater a circulação dos cigarros eletrônicos e reduzir sua atratividade entre crianças e adolescentes. Entre as referências citadas estão iniciativas adotadas por países que passaram a restringir ainda mais a venda e a publicidade desses produtos para as novas gerações.

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