• Assis abre quatro editais da Política Aldir Blanc e inicia inscrições nesta segunda
  • Últimos dias de abril em Assis terão calor, variação de nuvens e chance de chuva
  • Festa do Milho chega à 16ª edição em Cândido Mota com dois dias de tradição e comidas típicas
Novidades e destaques Novidades e destaques

Saúde • 14:40h • 23 de junho de 2025

Vacinação melhora, mas ainda enfrenta desafios no Brasil

Curvas de imunização indicam queda das taxas de cobertura desde 2015

Agência Brasil | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Isabela Ballalai também defende o uso constante das escolas como ponto de vacinação e de educação sobre vacinas.
Isabela Ballalai também defende o uso constante das escolas como ponto de vacinação e de educação sobre vacinas.

Apesar das coberturas vacinais no Brasil estarem em rota de recuperação, as diferenças entre estados e municípios e os esquemas incompletos ainda são desafios que ameaçam a saúde pública brasileira. Essas são as principais conclusões do Anuário VacinaBR, produzido pelo Instituto Questão de Ciência (IQC), em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A publicação mostra que, em 2023, nenhuma vacina infantil do calendário nacional atingiu a meta de cobertura em todos os estados. O destaque negativo ficou com os imunizantes que protegem contra a poliomielite, meningococo C, varicela e Haemophilus influenzae tipo B – nesses casos, nenhum estado vacinou 95% do público-alvo, porcentagem necessária para evitar a transmissão dessas doenças.

Além disso, apenas 1.784 municípios, ou menos de 32% dos mais de 5.570 existentes no Brasil, conseguiram cumprir a meta de cobertura para quatro vacinas considerados prioritárias: pentavalente, poliomioliete, pneumo-10 e tríplice viral. O melhor desempenho foi o do Ceará, onde 59% das cidades imunizaram o público-alvo. No Acre, porém, apenas 5% dos municípios alcançaram a marca.

"Saúde é competência concorrente da União, dos estados e dos municípios. O problema da imunização não pode ser atacado de maneira uniforme, porque a gente vive em um país de dimensões continentais que tem desafios muito específicos. E a gente viu, no Anuário, que às vezes tem municípios adjacentes, com condições muito parecidas, mas com taxas de imunização muito diferentes", alerta o diretor executivo do IQC e organizador do Anuário VacinaBR, Paulo Almeida.

Mesmo a vacina BCG, que protege contra formas graves de tuberculose e deve ser tomada logo após o nascimento – por isso, muitas vezes, é aplicada ainda na maternidade – só alcançou a meta de cobertura em oito unidades federativas. Em 11 estados, a taxa de imunização ficou abaixo de 80%, alcançando menos de 58% dos bebês no Espírito Santo. Dentro de todos os estados, há cidades que vacinaram 100% do público-alvo e outras que não imunizaram nem a metade.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Balallai, também destaca o protagonismo dos gestores municipais para aplicar as recomendações do Ministério da Saúde e a necessidade de seguir o planejamento estadual, conforme as realidades locais. Isabela lembra que o maior combustível para a hesitação vacinal é a baixa percepção de risco, quando as pessoas não sabem, ou não dão valor para o perigo das doenças preveníveis por vacina.

"O acesso também é um grande problema no Brasil. Temos 38 mil salas de vacinação, país nenhum tem isso. Mas se a pessoa vai ao posto e recebe uma informação errada, ela não volta. Se só funciona em horário comercial, e ela trabalha, ela não consegue levar os filhos. Se ela vai num dia, e a vacina acabou, ela não vai consegui voltar em outro dia. A falta de informação, somada à baixa percepção de risco é igual à não vacinação", acrescenta a diretora da Sbim.

Abandono

De maneira geral, as curvas de vacinação no Brasil indicam diminuição das taxas de cobertura desde 2015, com queda mais brusca em 2021 e movimento de recuperação em 2022 e 2023. Já as porcentagens de abandono, quando a pessoa recebe a primeira dose, mas não completa o esquema vacinal, mantêm-se estáveis desde 2018.

Um exemplo é a vacina tríplice viral. Em 2023, a maior parte do país vacinou entre 80 e 85% do público-alvo e apenas quatro estados atingiram a cobertura ideal na primeira dose: Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rondônia. O índice de aplicação da segunda dose não chegou a 50% em 14 estados, e a meta não foi atingida em nenhuma unidade federativa.

A tríplice viral previne contra o sarampo, a caxumba e a rubéola e deve ser tomada aos 12 e aos 15 meses de idade (sob a forma da vacina tetraviral, que também protege contra a varicela). Todas essas doenças podem desenvolver quadros graves e até provocar a morte, especialmente em crianças pequenas.

Atualmente, há surtos de sarampo em diversos países, e cinco casos isolados foram registrados no Brasil este ano. "As pessoas precisam saber que quem não completa o esquema vacinal continua desprotegido contra aquela doença", adverte Isabela Ballalai.

O diretor executivo do IQC e organizador do Anuário VacinaBR, Paulo Almeida, afirma que é preciso reconhecer que estratégias que deram certo no passado não são suficientes para enfrentar os desafios atuais: "A campanha hoje, por exemplo, não tem o mesmo peso por muitos motivos. Um deles é que as vozes são muito difusas. Antes, havia canais oficiais de comunicação com a população. Hoje, com a internet, temos infinitos canais de comunicação; então, é mais difícil acessar pela via direta da campanha."

Almeida ressalta, porém, que há novas ferramentas disponíveis. "Lembretes por SMS, por exemplo, conseguem melhorar muito a taxa de cobertura, porque a pessoa é cutucada para ir lá no posto. Porque ela sabe que é necessário, ela até quer até fazer, mas eventualmente o ritmo de vida interfere, e ela não consegue. Ou também a conveniência, que é superimportante: ter pontos de vacinação abertos em horários em que o cuidador pode levar a criança pra se imunizar.

Isabela Ballalai também defende o uso constante das escolas como ponto de vacinação e de educação sobre vacinas.

"A escola é capaz de combater os principais pontos da hesitação vacinal. Primeiro ponto: acesso. Os responsáveis não têm que levar ninguém a lugar nenhum, a criança, ou adolescente, já está ali. Segundo: informação. Explicar para a comunidade escolar porque é importante vacinar e que está tendo campanha, porque, às vezes, as pessoas não estão nem sabendo. Terceiro: a escola pode ser o caminho para as autoridades de saúde chegarem e se comunicarem com as famílias, e saberem qual a situação vacinal delas."

Últimas Notícias

Descrição da imagem

Economia • 12:30h • 27 de abril de 2026

Isenção para quem ganha R$ 5 mil vale para a declaração do IR 2026?

Resposta é: não. Contribuintes precisam prestar contas este ano

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 12:09h • 27 de abril de 2026

Palestra gratuita em Assis mostra como aplicar inteligência artificial nos negócios

Evento será realizado nesta quarta-feira, 29 de abril, às 19h, no auditório da ACIA

Descrição da imagem

Saúde • 11:37h • 27 de abril de 2026

Semana da Imunização: SP reforça alerta para vacinas contra gripe, febre amarela e sarampo

Imunização por meio de vacinação é a principal forma de prevenção e proteção coletiva diante de riscos de circulação de doenças imunopreviníveis

Descrição da imagem

Economia • 11:05h • 27 de abril de 2026

Restaurantes faturam mais em datas especiais, mas têm dificuldade para manter lucro no ano

Movimento em períodos como Dia das Mães cresce, mas margens seguem pressionadas e expõem falhas de gestão no setor

Descrição da imagem

Mundo • 10:48h • 27 de abril de 2026

IPVA está atrasado? Veja as opções para regularizar a situação

Entenda como funciona a regularização e em que situações não é necessário pagar multa

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 10:20h • 27 de abril de 2026

Entenda como teste genético pode antecipar diagnóstico de câncer de mama

Tecnologia que identifica risco hereditário pode ampliar prevenção e diagnóstico precoce na rede pública

Descrição da imagem

Educação • 09:51h • 27 de abril de 2026

Prazo para pedir isenção no Enem 2026 é prorrogado até 30 de abril

Estudantes têm mais tempo para solicitar gratuidade da taxa e justificar ausência na edição anterior; pedido deve ser feito pela Página do Participante

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 09:14h • 27 de abril de 2026

Dia da empregada doméstica expõe informalidade e desigualdades no setor

Com apenas 1,3 milhão de trabalhadores formalizados, categoria ainda enfrenta desafios históricos de direitos e reconhecimento

As mais lidas

Ciência e Tecnologia

Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento

Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar