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Ciência e Tecnologia • 14:09h • 06 de dezembro de 2025

Vacina da dengue: a trajetória da ciência até a produção em massa

Imunizante tetravalente, feito com vírus vivo atenuado, foi desenvolvido integralmente pelo Butantan; fábrica possui 2.550 m² de área produtiva e opera 24 horas por dia

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Pablo Jacob/Governo de SP

A fabricação da Butantan-DV envolve uma cadeia extensa e altamente complexa, em que cada etapa precisa funcionar em perfeita sincronia para garantir o resultado final.
A fabricação da Butantan-DV envolve uma cadeia extensa e altamente complexa, em que cada etapa precisa funcionar em perfeita sincronia para garantir o resultado final.

A aprovação da Butantan-DV pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) marca um momento histórico para a ciência brasileira. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina reúne os quatro sorotipos da dengue e surge em um cenário de recordes da doença: só em 2024, o Brasil registrou mais de 6,5 milhões de casos prováveis e 6.321 mortes.

O registro coroa 15 anos de pesquisa e desenvolvimento, que resultaram no primeiro imunizante inteiramente criado pelo Butantan. Para chegar ao produto final, foram necessárias 17 versões de formulação, 12 condições de liofilização em escala industrial e inúmeros testes de qualidade — um processo que evoluiu da bancada do laboratório para uma fábrica que opera continuamente.

“A produção da Butantan-DV depende de uma cadeia complexa que precisa funcionar em perfeita sincronia para garantir uma vacina segura e eficaz”, explica Antonio Cesar Pereira da Silva, diretor técnico de Produção da Vacina da Dengue.

Com a aprovação, um milhão de doses já está pronto para distribuição. A seguir, os principais bastidores dessa trajetória científica e industrial.

Uma vacina tetravalente, atenuada e liofilizada

O projeto da vacina começou em 2010, em meio a uma grande epidemia de dengue no país. A formulação utiliza cepas atenuadas dos quatro sorotipos do vírus (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), doadas pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Por serem enfraquecidos, esses vírus simulam uma infecção natural sem causar a doença, estimulando uma resposta imunológica robusta com apenas uma dose.

Esse esquema de dose única facilita a logística das campanhas e tende a aumentar a adesão, destaca Rosilane de Aquino Silva, diretora de Assuntos Regulatórios do Butantan. A formulação tetravalente é essencial porque a infecção por diferentes sorotipos pode elevar o risco de casos graves.

Outra característica fundamental da Butantan-DV é ser uma vacina liofilizada, semelhante a uma pequena pastilha, que precisa ser reconstituída antes da aplicação. A secagem a frio preserva a estabilidade do imunizante e permite armazenamento entre 2 °C e 8 °C — uma vantagem logística importante.

Testes clínicos e resultados

Enquanto o Butantan desenvolvia sua vacina, o NIH iniciava a fase 1 dos estudos clínicos nos Estados Unidos, com resultados positivos. A similaridade entre os protótipos permitiu ao Butantan avançar diretamente para um estudo de fase 2 no Brasil em 2013.

Em 2016, começou o estudo de fase 3, um dos maiores já realizados no país, com cerca de 17 mil voluntários acompanhados por cinco anos. Os dados comprovaram a segurança e a eficácia da vacina e embasaram o pedido de registro à Anvisa.

Da bancada à fábrica

Após o sucesso dos estudos clínicos, o Butantan precisou adaptar a produção para uma escala industrial. Em 2018, inaugurou a planta de 2.550 m² dedicada exclusivamente à vacina da dengue. A fase de escalonamento, porém, exigiu ajustes importantes — especialmente na liofilização, cujo ciclo precisou ser totalmente reformulado. Foram testadas 12 condições até chegar ao processo ideal.

O instituto também firmou parceria com a farmacêutica MSD, que utiliza as mesmas cepas atenuadas fornecidas pelo NIH. A colaboração permitiu troca de dados e aprimoramentos produtivos.

Validação e aprovação

As adaptações levaram à realização de um estudo de consistência com cerca de 700 voluntários, comprovando que o produto da fábrica mantinha os mesmos padrões da versão piloto. Depois, o Butantan validou internamente todo o processo produtivo, avaliando três lotes consecutivos para garantir reprodutibilidade e qualidade.

A validação do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) foi concluída em 2021, e a do produto final, em 2024. Com isso, o instituto submeteu o dossiê à Anvisa, que agora aprovou oficialmente a Butantan-DV.

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