Saúde • 09:29h • 11 de janeiro de 2026
USP identifica níveis irregulares de iodo em gestantes atendidas pelo SUS
Erros no armazenamento e substituição do sal de cozinha por temperos industrializados estão entre as causas da deficiência
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP revelou que grande parte das gestantes atendidas pelo SUS na cidade não consome iodo na quantidade adequada — nutriente essencial para o desenvolvimento do bebê. O estudo avaliou 266 gestantes e apontou que 38% ingeriam menos iodo do que o recomendado, enquanto 28% consumiam acima do ideal. Apenas 34% estavam dentro dos níveis adequados. As concentrações foram medidas por meio de amostras de urina.
A pesquisadora Ana Carolina Momentti explica que o iodo é fundamental para a produção dos hormônios da tireoide, que atuam no desenvolvimento neurológico do feto. A falta do mineral na gestação pode levar a hipotireoidismo, aborto, parto prematuro e restrição de crescimento.
Os pesquisadores destacam que fatores alimentares, ambientais, sociais e de saúde pública influenciam a ingestão do mineral. Gestantes de baixa renda, menor escolaridade e autodeclaradas pretas e pardas tinham maior risco de não usar sal iodado, principal fonte de iodo na dieta. Mulheres com muitos filhos ou com gestações próximas também apresentaram maior probabilidade de deficiência.
Além das diferenças de acesso aos alimentos ricos em iodo — como peixes, frutos do mar, algas, leite e derivados —, questões ambientais e de produção podem alterar a quantidade de iodo presente nesses alimentos.
A Anvisa determina que o sal de cozinha contenha entre 15 e 45 microgramas de iodo por quilo, mas gestantes precisam de 200 a 250 microgramas por dia. A necessidade aumenta em até 50% durante a gravidez. Tanto a falta quanto o excesso do mineral podem causar problemas à mãe e ao bebê.
Mesmo com políticas públicas de iodação do sal em vigor desde a década de 1950, a pesquisa apontou baixa ingestão de sal iodado e alta utilização de temperos industrializados entre as participantes. O consumo de álcool também surgiu como fator de risco importante: gestantes que bebiam tinham 6,5 vezes mais chance de apresentar insuficiência de iodo.
Os pesquisadores defendem a revisão e o reforço das políticas de fortificação do sal, além de campanhas que orientem sobre o uso do sal iodado e hábitos saudáveis na gravidez. O estudo reforça ainda a importância do acompanhamento nutricional no pré-natal para garantir a quantidade adequada de iodo.
O professor Anderson Marliere Navarro, orientador da pesquisa, afirma que o modelo atual ajuda, mas não garante que todas as gestantes atinjam os níveis ideais. Ele destaca a importância de fiscalizar melhor a iodação do sal, orientar sobre o armazenamento adequado e considerar suplementação individualizada em casos de deficiência.
A equipe seguirá acompanhando as gestantes do estudo para avaliar impactos no período neonatal e na primeira infância entre bebês cujas mães apresentaram níveis insuficientes ou excessivos de iodo.
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