Ciência e Tecnologia • 15:20h • 17 de setembro de 2026
USP cria paciente virtual para estudantes treinarem aplicação de injeções
Simulador permite que estudantes treinem a técnica repetidas vezes e concentra aprendizado em área considerada segura para medicamentos intramusculares, mas ainda pouco utilizada
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da USP | Foto: Arquivo/Âncora1
Pesquisadores da Escola de Enfermagem e da Escola Politécnica da USP desenvolveram um simulador de realidade virtual para treinar a aplicação de medicamentos por via intramuscular. A tecnologia reproduz um posto de saúde, apresenta um paciente virtual e ensina a localizar corretamente a região ventroglútea, considerada uma das áreas mais seguras para esse tipo de procedimento, mas ainda pouco utilizada na rotina clínica.
A região é formada pelos músculos glúteo médio e mínimo e apresenta vantagens por estar livre de nervos e vasos importantes, além de ser considerada menos dolorosa. Um dos obstáculos para sua utilização é a dificuldade de alguns profissionais em reconhecer os pontos anatômicos necessários para delimitar corretamente o local da injeção.
Essa dificuldade pode levar à escolha da região dorsoglútea, tradicionalmente utilizada para aplicações, mas que apresenta risco de lesão do nervo ciático. O treinamento desenvolvido pela USP busca justamente ampliar a familiaridade dos futuros profissionais com a alternativa considerada mais segura.
Óculos colocam estudante diante de um paciente virtual
O simulador combina realidade virtual com um manequim físico. Usando os óculos Meta Quest 3, o aluno encontra um paciente no ambiente digital, enquanto posiciona as próprias mãos sobre o modelo físico correspondente. O sistema reconhece os movimentos realizados durante a delimitação da área de aplicação.
Na versão atual, já é possível caminhar pelo ambiente virtual, tocar no paciente, delimitar a região, segurar e posicionar a seringa. Os pesquisadores ainda trabalham no desenvolvimento de um retorno visual que mostre ao usuário quando a área correta foi identificada e onde o medicamento deve ser aplicado.
Uma das vantagens é a possibilidade de repetir o procedimento várias vezes sem utilizar seringas, agulhas, luvas e outros materiais descartáveis. O estudante também pode praticar determinadas etapas fora do laboratório, embora os pesquisadores reforcem que a ferramenta foi concebida para complementar as aulas práticas e atividades clínicas, e não para substituí-las.
Tecnologia ainda está sendo aperfeiçoada
Entre os desafios está reproduzir a sensação do toque no corpo do paciente. Como dispositivos capazes de oferecer esse tipo de resposta são caros e possuem limitações, a equipe utiliza o manequim físico alinhado à representação virtual.
O projeto está atualmente na fase de avaliação dos protótipos. A ferramenta será analisada por especialistas de diferentes áreas e posteriormente testada por estudantes de graduação e profissionais da saúde.
A expectativa dos pesquisadores é ampliar gradualmente o simulador para reproduzir todo o procedimento adotado no treinamento, desde a preparação e interação inicial com o paciente até a aplicação do medicamento e o descarte da seringa.
A pesquisa conta com financiamento da Fapesp e os resultados do desenvolvimento e da primeira avaliação da tecnologia foram publicados na revista científica Teaching and Learning in Nursing.
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