Responsabilidade Social • 15:54h • 06 de novembro de 2026
Usina de reciclagem de entulho em Assis ainda não funciona e Prefeitura explica os motivos
Prefeitura confirma que equipamento destinado ao reaproveitamento de resíduos da construção civil permanece sem operação; licenciamento ambiental e regularização da área ainda estão pendentes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Arquivo/Âncora1
A Prefeitura de Assis informou que recebe, em média, 4 mil metros cúbicos de resíduos da construção civil por mês, mas ainda não colocou em funcionamento a usina móvel destinada ao beneficiamento desse material. A informação consta do Ofício nº 725/2026, de 28 de outubro, encaminhado à Câmara Municipal em resposta ao Requerimento nº 719/2026, apresentado pelo vereador Fernando Kiko. O documento também revela que o município ainda trabalha na regularização da área utilizada para receber os resíduos e não possui previsão para iniciar o reaproveitamento do material em estradas rurais.
Atualmente, os resíduos da construção civil são recebidos na Área de Transbordo e Triagem (ATT) da Fortuninha. Segundo a administração, os dados levantados durante a revisão do Plano Municipal de Gestão de Resíduos apontam uma média mensal de 450 m³ de resíduos volumosos, 3.500 m3 de massa verde e 4 mil m³ de materiais provenientes de construções, reformas e demolições.
Somadas, essas três categorias representam aproximadamente 7.950 m3 de resíduos recebidos mensalmente no local. Entretanto, a Prefeitura ainda não dispõe de um levantamento consolidado sobre quanto desse volume foi efetivamente triado, triturado, beneficiado ou reciclado em 2025 e 2026.
O Executivo também informou que os resíduos da construção civil que não são aproveitados permanecem armazenados temporariamente na própria área. De acordo com a resposta, os diferentes tipos de materiais são mantidos separados, sem destinação final conjunta.
Usina móvel permanece sem funcionamento
Um dos principais pontos levantados pelo vereador envolve a usina móvel de beneficiamento de resíduos inertes da construção civil, mencionada pela Prefeitura em fevereiro de 2026 como equipamento destinado à operação na Fortuninha.
Questionada sobre a instalação e o início das atividades, a administração confirmou que a usina ainda não entrou em funcionamento. Segundo o documento, o município estuda formas operacionais de organizar a triagem prévia dos resíduos para garantir a qualidade do material destinado ao processamento.
A Prefeitura informou que existe um instrumento firmado com o Consórcio Intermunicipal do Vale do Paranapanema (CIVAP) para utilização da usina móvel. Entretanto, não apresentou data prevista para o início das operações nem quantidade de material já beneficiado pelo equipamento.
Outro entrave envolve o licenciamento ambiental. Conforme a resposta, o município trabalha na regularização da titularidade da área para dar continuidade ao processo formal de licenciamento junto à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
Entulho reciclado ainda não é utilizado nas estradas rurais
O reaproveitamento dos resíduos da construção civil na manutenção e recuperação das estradas rurais também foi abordado no requerimento.
A Prefeitura confirmou que ainda não iniciou a aplicação de materiais beneficiados nessas vias. A utilização depende da consolidação do processo de triagem e da estruturação das condições necessárias para o funcionamento da usina móvel.
O Executivo não estabeleceu prazo para começar a empregar agregados reciclados em obras ou serviços públicos. Segundo o documento, os esforços atuais estão concentrados na regularização fundiária da área e na organização do fluxo de recebimento e separação dos resíduos.
Prefeitura informa gastos com maquinário, mas não detalha custos da operação
O vereador também solicitou informações sobre os gastos municipais com recebimento, triagem, transporte, processamento e destinação dos resíduos durante 2025 e 2026.
A administração respondeu que os custos não são individualizados, porque máquinas, caminhões e equipes são utilizados de maneira compartilhada em diferentes serviços públicos, incluindo a gestão do ecoponto municipal.
Na gestão desses dois espaços, a Prefeitura informou ter empenhado aproximadamente R$ 160.578,17 em 2026 com maquinário. O valor, portanto, não corresponde exclusivamente às despesas com resíduos da construção civil.
A resposta também aponta que não houve arrecadação municipal relacionada à recepção ou destinação de resíduos provenientes de grandes geradores. Quanto ao controle de entrada e saída dos materiais na ATT da Fortuninha, os registros operacionais ainda estão em processo de consolidação de relatórios.
Dessa forma, embora a Prefeitura informe receber milhares de metros cúbicos de resíduos mensalmente, ainda não apresenta dados consolidados sobre o volume efetivamente reciclado, os custos específicos da operação ou uma previsão para o funcionamento da usina móvel.
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