Economia • 09:43h • 02 de setembro de 2026
Um em cada três CNPJs inadimplentes do Brasil está em São Paulo, aponta Serasa
Empresas paulistas acumulavam R$ 87,3 bilhões em dívidas negativadas em julho; número nacional chegou ao recorde de 9,2 milhões
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Serasa | Foto: Divulgação
São Paulo chegou a 3.147.102 empresas inadimplentes em julho de 2026, o maior número entre todos os estados brasileiros, segundo a Serasa Experian. Sozinho, o estado concentrava cerca de 34% dos 9,2 milhões de CNPJs negativados no país e acumulava R$ 87,3 bilhões em dívidas, retrato de um cenário que continua pressionando principalmente os pequenos negócios.
Os números paulistas também ajudam a dimensionar o peso do Sudeste. A região reunia pouco mais de 5 milhões de empresas inadimplentes, o que significa que seis em cada dez delas estavam em São Paulo. Minas Gerais aparecia bem atrás, com 915.410 empresas nessa situação, seguido pelo Rio de Janeiro, com 870.189.
Em São Paulo, foram contabilizadas mais de 24,1 milhões de dívidas negativadas. Cada empresa inadimplente possuía, em média, 7,7 pendências, que juntas representavam uma dívida média de R$ 27.733,14 por CNPJ. O valor médio de cada conta em atraso era de R$ 3.615,07.
Inadimplência empresarial voltou a bater recorde
No país, o número de empresas com contas atrasadas vem avançando desde o início de 2026. Depois de recuar de 8,9 milhões em dezembro para 8,7 milhões em janeiro, o indicador subiu mês após mês até alcançar 9,2 milhões em julho, maior patamar da série apresentada. Em apenas seis meses, foram cerca de 500 mil empresas inadimplentes a mais.

O volume nacional de dívidas também impressiona: são 67,2 milhões de pendências, que somam R$ 238,6 bilhões. A dívida média chega a R$ 25.983,88 por empresa.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, mesmo com os cortes recentes da Selic, as condições financeiras ainda permanecem restritivas, enquanto a desaceleração da atividade econômica reduz o dinamismo das receitas. A combinação dificulta tanto o pagamento quanto a renegociação das dívidas.
Pequenos negócios sentem a maior pressão
As micro e pequenas empresas representam a maior parte do problema. Dos 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes no Brasil, 8,7 milhões pertencem a esse grupo, equivalente a aproximadamente 95% do total. Juntos, esses negócios acumulavam R$ 206 bilhões em dívidas.
O setor de serviços também se destaca: responde por 55,8% das empresas negativadas. O comércio aparece na sequência, com 32,1%, enquanto indústria representa 8% e o setor primário, 1%.

Outro dado mostra que a dificuldade das empresas não está concentrada apenas nos bancos. Serviços representam 31,7% da origem das dívidas, enquanto bancos e cartões respondem por 19,7%. Considerando também as financeiras, as instituições financeiras concentram 24,3% das pendências. Os outros 75,7% estão relacionados a diferentes compromissos assumidos pelas empresas.
Para São Paulo, os números colocam em perspectiva o tamanho da pressão sobre os negócios: além de liderar com ampla distância o número de CNPJs inadimplentes, o estado sozinho concentra R$ 87,3 bilhões, mais de um terço de todo o valor devido pelas empresas negativadas no Brasil.
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