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Economia • 18:29h • 18 de outubro de 2025

Turnover custa caro: 63% das demissões poderiam ser evitadas com uma cultura de retenção

Pesquisa revela que estagnação, falhas de gestão e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional explicam a maioria das saídas voluntárias; comunicação clara é apontada como solução

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Especialista destaca seis práticas para criar uma cultura de retenção e evitar perdas de talentos
Especialista destaca seis práticas para criar uma cultura de retenção e evitar perdas de talentos

Estagnação na carreira, dificuldade para equilibrar vida pessoal e profissional e falhas de gestão estão entre os principais motivos de demissões voluntárias em empresas, segundo o Relatório de Retenção 2025 do Work Institute. O estudo mostra que 63% das saídas poderiam ser evitadas, caso as companhias adotassem políticas de retenção mais eficazes e estratégias de engajamento contínuo.

Para Andréa Migliori, CEO do ecossistema de experiência do trabalho Workhub, o problema começa na falta de diálogo entre empresas e colaboradores. “Muitos desligamentos podem ser evitados com uma comunicação clara e acordos inteligentes. As organizações precisam enxergar os problemas antes que eles se desdobrem”, afirma.

Os custos do turnover também são expressivos. Um levantamento da Korn Ferry aponta que a troca de profissionais pode custar entre 120% e 200% do valor do salário do colaborador desligado, incluindo treinamentos, contratações e perdas de produtividade. Em setores com margens de lucro menores, esse impacto é ainda mais sensível.

Segundo Andréa, reduzir a rotatividade não depende apenas de benefícios pontuais, mas de criar uma cultura de retenção, ou seja, um ambiente de trabalho no qual as pessoas realmente queiram permanecer. “Não basta aplicar pesquisas de clima ou ações isoladas. É preciso construir um espaço confiável, onde os profissionais se sintam ouvidos e seguros para expressar suas necessidades e expectativas”, explica.

A especialista aponta seis pilares que ajudam a construir essa cultura de retenção nas empresas:

  • Reconhecimento consistente: valorizar conquistas individuais e coletivas de forma estruturada aumenta o engajamento e reduz a sensação de invisibilidade.
  • Planos de desenvolvimento de carreira: oferecer trilhas de crescimento, mentorias e oportunidades internas estimula a motivação e o senso de futuro.
  • Equilíbrio entre vida pessoal e profissional: políticas de home office, horários flexíveis e respeito às pausas reduzem a exaustão e reforçam a confiança.
  • Comunicação clara e estruturada: sistemas internos com informações acessíveis ajudam o time a tomar decisões com segurança.
  • Feedbacks transparentes: conversas contínuas sobre performance e expectativas evitam mal-entendidos e fortalecem a confiança mútua.
  • Formação de lideranças: treinar gestores em práticas inclusivas e empatia reduz conflitos e pedidos de demissão ligados à má gestão.

Para Andréa, reter talentos não é segurar pessoas a qualquer custo, mas criar condições em que elas escolham ficar. “Quando há espaço para diálogo, clareza nas oportunidades e confiança nas lideranças, o sentimento de pertencimento cresce. E quem se sente pertencente tende a se engajar mais, produzir melhor e gerar valor de forma contínua”, conclui.

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