Saúde • 14:38h • 10 de maio de 2026
Tratamentos inadequados podem agravar asma em adultos, mostra estudo
Uso das bombinhas de resgate não é eficaz a longo prazo
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Um levantamento realizado com cerca de 400 pacientes atendidos em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) revelou que 60% dos adultos com asma apresentam redução da função pulmonar em razão do uso de tratamentos considerados ultrapassados, como as chamadas “bombinhas de resgate”. Entre as crianças, o índice chegou a 33%.
Os dados fazem parte de uma pesquisa do Projeto CuidAR, desenvolvida pelo Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde. O estudo aponta que grande parte dos pacientes atendidos na Atenção Primária à Saúde ainda utiliza medicamentos não recomendados pelas diretrizes atuais de tratamento da asma.
Segundo os pesquisadores, mais da metade dos pacientes utiliza apenas broncodilatadores de curta ação, conhecidos como SABA, para controlar a doença. Esses medicamentos aliviam os sintomas momentaneamente, mas não tratam a inflamação das vias respiratórias, aumentando o risco de crises graves e até de mortalidade.
De acordo com o pneumologista pediátrico Paulo Pitrez, responsável técnico pela pesquisa, os resultados mostram que muitos pacientes já apresentam danos pulmonares importantes, possivelmente irreversíveis.
Durante os testes de espirometria, que avaliam a capacidade pulmonar, os adultos analisados não conseguiram recuperar a função respiratória normal mesmo após o uso das bombinhas. Entre as crianças, um terço também não apresentou melhora significativa.
Atualmente, as diretrizes internacionais recomendam o uso combinado de broncodilatadores de longa ação com medicamentos anti-inflamatórios inalados. Apesar disso, muitas UBSs ainda utilizam tratamentos focados apenas no alívio imediato dos sintomas.
Além dos impactos na saúde, o estudo também identificou prejuízos na rotina dos pacientes. Cerca de 60% dos participantes perderam dias de trabalho ou estudo devido à asma no último ano. Entre crianças e adolescentes, o absenteísmo ultrapassa 80%, enquanto entre adultos chega a 50%.
A pesquisa também mostrou que quase 70% dos participantes tiveram três ou mais crises recentes de asma. Quase metade precisou procurar pronto-socorro e, entre esses pacientes, 10% foram hospitalizados.
Segundo estudos da área, a mortalidade por asma no Brasil também vem crescendo, com média de seis mortes por dia no país.
Como alternativa para ampliar o diagnóstico e o acompanhamento dos pacientes no SUS, o Projeto CuidAR propõe a implementação do aparelho Peak Flow nas unidades de saúde. O equipamento mede o pico de fluxo respiratório, tem custo mais baixo e é mais simples de utilizar do que a espirometria tradicional.
O projeto também prevê ações de capacitação contínua para profissionais da saúde, com o objetivo de atualizar o atendimento e melhorar o tratamento oferecido a pessoas com asma na rede pública.
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