Policial • 19:05h • 08 de setembro de 2026
Trajetória de projétil levanta dúvidas sobre morte de mulher de PM e muda investigação em SP
Trajetória do projétil levantou dúvidas sobre a hipótese inicial de suicídio; marido, policial militar, teve prisão temporária decretada e defesa nega envolvimento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da M2 Comunicação Jurídica | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Os exames periciais realizados após a morte da técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, levantaram inconsistências em relação à hipótese inicial de suicídio e deram novo direcionamento à investigação em Embu das Artes, na Grande São Paulo. O marido dela, o policial militar Vinicius Costa Silva, de 26 anos, teve a prisão temporária decretada. A defesa nega qualquer envolvimento dele na morte.
Larissa foi encontrada com um ferimento por arma de fogo na cabeça, no banheiro da residência. Segundo a versão apresentada pelo marido, ele teria acordado com o barulho do disparo e encontrado a esposa já ferida. A arma, pertencente ao policial, estava próxima ao corpo.
A análise médico-legal identificou um ponto considerado relevante para a investigação: a trajetória do projétil foi descrita como de trás para frente e da esquerda para a direita. Essa informação passou a ser confrontada com o fato de Larissa ser destra.
Trajetória do disparo levantou dúvida sobre a dinâmica
Para a médica Caroline Daitx, especialista em Medicina Legal e Perícia Médica, o exame necroscópico é fundamental justamente por permitir comparar a narrativa apresentada com os vestígios encontrados no corpo.
“O que chamou atenção foi justamente a trajetória do projétil. Considerando também a informação de que a vítima era destra, surgiu uma incompatibilidade importante com a dinâmica inicialmente apresentada como suicídio. Isso, por si só, não define o que aconteceu, mas é um sinal de alerta muito relevante para a investigação”, explica.
Perícia questiona dinâmica de morte de mulher de policial e caso passa por nova análise | Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Segundo a especialista, a função do médico-legista não é definir isoladamente se houve suicídio ou homicídio nem apontar autoria. O papel é descrever tecnicamente a morte e verificar se os achados são compatíveis com as hipóteses investigadas.
Outros exames ainda precisam ser confrontados
Além da trajetória do projétil, a investigação considera outros elementos, como a localização do ferimento, a distância do disparo, a existência de possíveis lesões de defesa, contenção ou agressão e a posição em que a arma foi encontrada.
Também foram solicitados exames de resíduos de disparo nas mãos de Larissa e do marido, além de análises balísticas e da própria arma. Esses resultados deverão ser avaliados em conjunto com a perícia do local e os demais vestígios.
A prova residuográfica, segundo Daitx, não deve ser interpretada isoladamente. Um resultado positivo pode ocorrer por contaminação ou transferência secundária, enquanto um resultado negativo não exclui necessariamente o disparo, já que os resíduos podem desaparecer com o tempo, lavagem ou atrito.
Um único vestígio não determina o que aconteceu
A reconstrução da morte depende da combinação entre diferentes evidências. A médica reforça que uma inconsistência pode exigir revisão da hipótese inicial, mas não permite, sozinha, concluir se houve participação de outra pessoa.
“Não é um único achado que vai dizer se foi suicídio ou se houve participação de outra pessoa. O que chama atenção neste caso é que a trajetória encontrada no corpo aparentemente não se encaixou bem na dinâmica inicialmente apresentada”, afirma.
A partir dessa incompatibilidade, a investigação passa a considerar de forma conjunta os exames periciais, a arma, o local, os depoimentos e os demais elementos reunidos no caso.
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