Variedades • 14:53h • 22 de agosto de 2026
Trabalhar doente é realidade para 7 em cada 10 profissionais e pode atrasar recuperação
Pesquisa com mais de 1,5 mil trabalhadores mostra que 70,3% já continuaram trabalhando quando deveriam descansar; entre eles, 71,7% perceberam piora da saúde ou recuperação mais demorada
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da MGA | Foto: Arquivo/Âncora1
Continuar trabalhando mesmo quando o corpo pede descanso faz parte da realidade de 7 em cada 10 trabalhadores brasileiros. Pesquisa da Heach Recursos Humanos mostra que 70,3% dos entrevistados já permaneceram em atividade mesmo diante de um problema de saúde que, na própria avaliação, indicava a necessidade de repouso.
O levantamento ouviu 1.537 profissionais de diferentes setores, cargos, portes de empresas e regiões do país. O comportamento é conhecido como presenteísmo, quando a pessoa comparece ou permanece trabalhando apesar de estar doente ou sem condições adequadas para desempenhar suas atividades.
Entre aqueles que já trabalharam nessas condições, 35,4% disseram que continuaram para não sobrecarregar os colegas, principal motivo apontado na pesquisa. Outros 27,9% avaliaram que o problema não era grave o suficiente para justificar o afastamento, 17,3% tiveram medo de prejudicar a carreira e 12,5% citaram pressão da empresa ou da liderança.
Trabalhar doente pode fazer recuperação demorar mais
Os efeitos aparecem entre os próprios profissionais que decidiram continuar trabalhando. Dos 1.081 entrevistados que passaram pela situação, 39,7% disseram que seu estado de saúde piorou, enquanto 32% perceberam que levaram mais tempo para se recuperar.
Somados, 71,7% relataram algum impacto negativo na recuperação. Para Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, o presenteísmo não deve ser analisado somente como uma escolha individual, já que a cultura e a organização do ambiente profissional também podem influenciar a decisão.
“Quando sete em cada dez profissionais dizem que já trabalharam mesmo acreditando que deveriam descansar, temos um sinal de que existe uma dificuldade em estabelecer limites entre responsabilidade profissional e cuidado com a própria saúde”, afirma.
A percepção dos trabalhadores sobre suas empresas reforça esse cenário. Apenas 26,4% afirmam que a organização incentiva claramente o descanso quando o funcionário está doente. Para 43,7%, esse incentivo ocorre parcialmente, enquanto 23% dizem não existir esse estímulo.
Quase 90% enxergam maior risco de erros e acidentes
Permanecer no trabalho sem estar bem também desperta preocupação com a segurança. Segundo a pesquisa, 89,4% acreditam que trabalhar doente aumenta o risco de erros ou acidentes. Para 61%, esse risco aumenta muito, enquanto 28,4% consideram que aumenta um pouco.
Teixeira destaca que a permanência do profissional em atividade não deve ser confundida automaticamente com produtividade. Segundo ele, quando trabalhar doente contribui para uma recuperação mais lenta e aumenta a possibilidade de erros, o benefício imediato para a organização pode desaparecer.
Os resultados colocam em discussão uma cultura na qual continuar produzindo, mesmo sem condições de saúde adequadas, ainda pode ser associado a comprometimento profissional. Os números mostram, porém, que essa escolha pode ter efeito contrário, prolongando a recuperação e aumentando riscos para o próprio trabalhador e para o ambiente em que atua.
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