Saúde • 10:08h • 02 de outubro de 2026
Tem mais de 70 anos? Nova regra passa a permitir doação de sangue no Brasil
Regulamento do Ministério da Saúde entrou em vigor na quarta-feira, 30, e também diminui prazos após procedimentos como maquiagem definitiva, preenchimentos e microagulhamento
Da Redação | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
Pessoas com 70 anos ou mais que estejam saudáveis passam a poder doar sangue no Brasil, desde que sejam consideradas aptas durante a avaliação clínica realizada pelo serviço de hemoterapia. A mudança entrou em vigor na quarta-feira, 30 de setembro, e faz parte do novo regulamento técnico estabelecido pelo Ministério da Saúde, que também altera prazos relacionados a tatuagens, procedimentos estéticos e exposição a áreas com risco de malária.
A possibilidade de continuar doando depois dos 70 anos não significa liberação automática. Cada candidato será submetido à avaliação clínica e deverá respeitar os intervalos e a frequência de doações estabelecidos para essa faixa etária.
Segundo o Ministério da Saúde, as mudanças atualizam critérios de aptidão, segurança das transfusões e rastreabilidade do sangue. Em 2025, o Sistema Único de Saúde registrou 3,26 milhões de coletas, equivalentes a 15,29 doações para cada mil habitantes, maior taxa desde o período da pandemia.
Tatuagem e alguns procedimentos passam a exigir espera de sete dias
Outra mudança importante está no prazo para quem realizou tatuagem, maquiagem definitiva, microagulhamento, preenchimento ou aplicação de botox. A doação poderá ocorrer depois de sete dias quando o procedimento tiver sido realizado em estabelecimento que cumpra as normas de segurança.
Quando não for possível avaliar essas condições, o período de espera será de quatro meses. No caso de piercing na boca ou na região genital, será necessário aguardar quatro meses depois da retirada.
O regulamento também modifica critérios relacionados à malária. O Brasil passa a adotar obrigatoriamente o teste para a doença em 100% dos exames de triagem, segundo o Ministério da Saúde. O NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz e já utilizado na identificação de HIV e hepatites B e C, passa a detectar também o parasita causador da malária.
Com isso, o impedimento para pessoas que estiveram em municípios de áreas endêmicas ou tiveram exposição em mata, bosque ou floresta passa a ser de 30 dias. Anteriormente, o intervalo poderia chegar a 12 meses.
Bolsas terão novo padrão de identificação
As mudanças incluem ainda a adoção do padrão internacional ISBT 128 para identificação de bolsas e amostras, ampliando a rastreabilidade entre a coleta e a utilização do sangue.
O prazo de validade do concentrado de plaquetas também poderá aumentar de cinco para sete dias, desde que sejam cumpridas as medidas de controle de qualidade exigidas. A alteração busca reduzir perdas e ampliar a disponibilidade desse hemocomponente.
Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto, inclusive em formato digital. Adolescentes a partir dos 16 anos também podem se candidatar, desde que tenham autorização do responsável.
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