Saúde • 19:46h • 06 de junho de 2026
Telas à noite afetam a produção de melatonina e dificultam o sono infantil
Especialistas reforçam que telas devem ser evitadas pelo menos duas horas antes de dormir para melhorar a qualidade do sono infantil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Bradart Comunicação | Foto: Âncora1
Dormir bem é uma das necessidades mais importantes da infância. É durante o sono que o organismo consolida aprendizados, regula hormônios, fortalece o sistema imunológico e contribui para o desenvolvimento físico e emocional. Apesar disso, um hábito cada vez mais comum tem preocupado especialistas: o uso de celulares, tablets, videogames e televisões pouco antes de dormir.
A preocupação foi reforçada pela Academia Americana de Medicina do Sono, que destaca a importância da chamada higiene do sono, conjunto de hábitos que ajudam crianças e adolescentes a terem noites mais tranquilas e reparadoras. Entre as recomendações, uma das principais é reduzir a exposição às telas no período noturno.
Segundo o pediatra Antonio Carlos Turner, coordenador técnico da rede de clínicas Total Kids, a tecnologia se tornou um dos maiores desafios para a qualidade do sono infantil nos últimos anos.
Luz das telas mantém o cérebro em estado de alerta
De acordo com o especialista, aparelhos eletrônicos devem ser desligados pelo menos duas horas antes do horário de dormir. Isso porque a luz emitida pelas telas interfere diretamente na produção de melatonina, hormônio responsável por sinalizar ao organismo que é hora de descansar.
"A luz branco-azulada emitida por celulares, tablets, videogames e televisões inibe a secreção de melatonina e dificulta o início do sono. Além disso, esses conteúdos mantêm a criança estimulada quando o ideal seria justamente desacelerar", explica Turner.
A consequência pode aparecer em forma de dificuldade para adormecer, despertares frequentes durante a madrugada e sensação de cansaço ao longo do dia seguinte.
Rotina tranquila ajuda a melhorar o descanso
Especialistas defendem que o período que antecede o sono deve ser marcado por atividades mais calmas e previsíveis. Ler uma história, conversar em tom de voz mais baixo ou criar pequenos rituais familiares são estratégias que ajudam a preparar a criança para o descanso.
A regularidade também faz diferença. Manter horários semelhantes para dormir e acordar ajuda o organismo a regular seu relógio biológico, favorecendo um sono mais profundo e de melhor qualidade.
Outro ponto importante envolve as sonecas durante o dia. Crianças que ainda cochilam precisam ter intervalos adequados entre o descanso diurno e o horário de dormir à noite, evitando que cheguem ao fim do dia sem sono suficiente.
Quando procurar ajuda médica
Embora mudanças na rotina resolvam grande parte dos problemas relacionados ao sono infantil, alguns casos exigem avaliação especializada. Dificuldade persistente para dormir, despertares frequentes, sonolência excessiva durante o dia ou alterações comportamentais podem indicar a necessidade de acompanhamento médico.
Segundo Turner, em situações específicas, especialmente quando existem transtornos do neurodesenvolvimento ou outras condições associadas, o tratamento pode exigir abordagens complementares definidas individualmente pelo pediatra. O especialista também alerta para os riscos da automedicação. Produtos utilizados para induzir o sono, incluindo suplementos e medicamentos vendidos sem receita, não devem ser administrados sem orientação profissional.
Para os especialistas, a principal mensagem continua sendo simples: criar uma rotina previsível, reduzir estímulos antes de dormir e limitar o uso de telas são medidas que podem fazer grande diferença na saúde e no desenvolvimento das crianças.
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