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Ciência e Tecnologia • 08:53h • 29 de novembro de 2024

Tecnologia ajuda a combater o contrabando de madeira no Brasil

Sistema desenvolvido peolo IPA aumenta a eficiência na fiscalização e combate à exploração ilegal de recursos naturais

Da Redação com informações da Agência SP | Foto: Semil/Governo de SP

A responsável pelo desenvolvimento da técnica de identificação é a pesquisadora Sandra Florsheim, do IPA
A responsável pelo desenvolvimento da técnica de identificação é a pesquisadora Sandra Florsheim, do IPA

O combate ao contrabando de madeira no Brasil ganhou um importante aliado tecnológico, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil). A ferramenta permite a identificação de produtos ilegais a partir de imagens, que podem ser capturadas até mesmo por celulares, analisadas posteriormente por especialistas para a identificação macroscópica das espécies.

Na prática, essa inovação aumenta a eficiência das polícias na fiscalização e no combate à exploração ilegal de madeira. O especialista não precisa estar presente no local das operações: as análises são enviadas pela internet, e os laudos, emitidos de um único ponto, tornam o processo mais ágil. Isso permite que contrabandistas sejam identificados e autuados remotamente, em qualquer região do país.

A pesquisadora Sandra Florsheim, do IPA, é a responsável pela criação dessa tecnologia, cuja inspiração surgiu em uma consulta médica. “Fui ao dermatologista, e ele usou um aparelho microscópico para examinar minha pele. Tive a ideia de adquirir um aparelho semelhante e ajustá-lo para ampliar imagens em 10 vezes, o suficiente para identificar espécies de madeira. Conectamos esse dispositivo ao computador em 2007”, explica Sandra. Atualmente, qualquer aplicativo de zoom em celular, que permita essa ampliação, é suficiente para realizar a análise, embora o laudo precise ser emitido por especialistas.

“Desenvolvemos essa tecnologia para operações em estradas ou madeireiras. No início, participávamos de todas as ações presencialmente. Com o tempo, começamos a receber imagens por e-mail. Agora, treinamos policiais para que eles mesmos possam identificar a origem do bioma”, detalha Sandra. O treinamento do IPA, com duração de 40 horas, qualifica os agentes para identificar espécies de madeira, sejam nativas ou exóticas, analisando amostras nos planos transversal e tangencial.

A identificação correta é fundamental para garantir a sustentabilidade no uso dos recursos naturais, respeitando o manejo e a legislação florestal. Além disso, o consumidor final é diretamente impactado, pois pode assegurar que a madeira adquirida tem origem certificada e sustentável.

O comércio ilegal de madeira traz sérios danos ambientais, como a perda da biodiversidade, extinção de espécies, degradação florestal, poluição do solo e redução de mananciais. Animais que dispersam sementes, por exemplo, também sofrem com o desequilíbrio causado por essas práticas.

Todo transporte de madeira deve ser acompanhado pelo Documento de Origem Florestal (DOF), emitido pelo Ibama, contendo informações como espécie, tipo de material, volume, valor, origem, destino, rota e placa do veículo. Esse controle é essencial para evitar fraudes, como a troca de madeira em exportações e importações, além de auxiliar em processos jurídicos e estudos técnico-científicos.

Em caso de irregularidades, as cargas são apreendidas e encaminhadas a pátios municipais até que a justiça determine as providências. O uso de documentos falsos para transporte de madeira ilegal é crime previsto no artigo 304 do Código Penal, com pena de até um ano de prisão, além de multa de R$ 6 mil por hectare, podendo ser ampliada conforme o caso.

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