Ciência e Tecnologia • 10:58h • 24 de maio de 2026
Tecnologia acelera atendimento, mas consumidores ainda priorizam conexão humana
Pesquisa mostra que clientes abandonam marcas após experiências frias, burocráticas ou sem empatia, mesmo com avanço da automação
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A expansão da inteligência artificial, dos chatbots e dos sistemas automatizados transformou o atendimento ao consumidor nos últimos anos, mas especialistas alertam que eficiência tecnológica sozinha não garante fidelização. Em um cenário de busca intensa por redução de custos e ganho operacional, cresce também a percepção de que experiências frias e impessoais podem afastar clientes, mesmo quando os processos funcionam rapidamente.
Dados da Pesquisa sobre Experiência do Cliente PwC 2025 mostram que 52% dos consumidores deixaram de comprar de uma marca após uma experiência ruim com produtos ou serviços. Outros 29% interromperam o relacionamento por conta de atendimentos considerados insatisfatórios, tanto em canais digitais quanto presenciais.
Os números indicam que velocidade e automação não compensam falhas relacionadas à escuta, empatia e qualidade da experiência durante a jornada do cliente.
Para Alexandre Slivnik, especialista em excelência de serviços, vice-presidente da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), professor convidado da FIA/USP e diretor executivo do IBEX, o principal erro de muitas empresas está em tratar tecnologia como substituta das relações humanas.
Consumidores ainda buscam atendimento humano
Segundo especialistas, o comportamento dos consumidores mostra que a presença da tecnologia não elimina a necessidade de contato humano, principalmente em situações mais delicadas ou que exigem personalização.
“Basta observar o comportamento das pessoas em um call center. A maioria tenta falar com um humano o mais rápido possível. Isso mostra que eficiência sem empatia gera distanciamento”, destaca Slivnik.
Na avaliação dele, o diferencial competitivo das empresas está justamente na combinação entre processos eficientes e atendimento humanizado. O especialista cita empresas reconhecidas globalmente, como a Disney, para ilustrar como cultura organizacional e comportamento das equipes continuam sendo decisivos para criar experiências positivas.
Experiência do cliente começa dentro da empresa
Dados da Gallup reforçam a relação entre ambiente interno e percepção do consumidor. Segundo os levantamentos da consultoria, empresas com equipes altamente engajadas apresentam aumento médio de 23% na rentabilidade, além de maior retenção de clientes.
Para Slivnik, isso acontece porque o atendimento reflete diretamente o clima organizacional. “O cliente encantado é consequência de uma equipe encantada. Quando o colaborador se sente valorizado, ele transmite isso naturalmente na relação com o consumidor”, afirma.
Especialistas avaliam que empresas que investem apenas em automação, sem cuidar da cultura interna e da preparação das equipes, tendem a criar relações mais mecânicas e menos duradouras com o público.
IA deve potencializar, e não eliminar, relações humanas
Segundo o especialista, a inteligência artificial possui papel importante dentro das empresas, especialmente em atividades repetitivas e operacionais. A tecnologia pode ajudar a acelerar processos, organizar informações, antecipar demandas e liberar profissionais para interações mais qualificadas.
O problema surge quando o relacionamento passa a ser tratado apenas de forma automatizada. “A inteligência artificial pode resolver processos repetitivos, antecipar demandas e liberar tempo para interações mais qualificadas. O problema começa quando a empresa transforma o relacionamento em algo mecânico e sem emoção”, afirma.
Slivnik cita o exemplo do Japão, conhecido pelo alto nível de automação, mas que ainda preserva forte valorização do cuidado humano no atendimento. “A automação organiza a operação, mas os momentos mais marcantes continuam sendo criados pelas pessoas”, diz.
Equilíbrio deve definir empresas mais competitivas
Na avaliação do especialista, o grande desafio das empresas nos próximos anos será encontrar equilíbrio entre eficiência operacional e construção de experiências emocionalmente relevantes para os consumidores.
“O consumidor atual não quer apenas resolver um problema. Ele quer se sentir importante durante a jornada. A tecnologia pode acelerar processos, mas ainda são as relações humanas que constroem confiança, memória e fidelização”, conclui.
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