Saúde • 15:22h • 12 de maio de 2026
Tabagismo pode estar ligado a mais de 63 mil mortes por câncer no Brasil em um ano, alerta SBCO
Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica aponta forte associação entre cigarro e tumores de pulmão, esôfago, laringe e outros tipos da doença
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sensu Comunicação | Foto: Âncora1
O tabagismo pode estar associado a pelo menos 63.268 mortes por câncer registradas no Brasil em 2025. O dado faz parte de um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), divulgado com base em registros da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2026 e estudos epidemiológicos sobre os impactos do cigarro na saúde.
A análise considera 12 tipos de câncer relacionados ao consumo de derivados do tabaco e reforça o peso do cigarro como um dos principais fatores evitáveis associados à doença no país.
Segundo o estudo, os tumores avaliados somaram 132.802 mortes em 2025. Ao aplicar os percentuais de associação entre tabagismo e cada tipo de câncer, a SBCO chegou à estimativa de mais de 63 mil óbitos potencialmente ligados ao consumo de cigarros.
Câncer de pulmão concentra maior impacto
O maior impacto aparece no câncer de pulmão, considerado um dos tumores mais fortemente relacionados ao tabagismo.
Das 31.637 mortes registradas pela doença em 2025, cerca de 28.473 podem ter relação direta com o consumo de tabaco, segundo a estimativa da SBCO. O percentual de associação chega a 90%.

Mesmo tumores com percentuais menores continuam preocupando devido ao alto número absoluto de casos. É o caso dos cânceres colorretal, estômago, fígado, pâncreas e colo do útero
Especialistas alertam para efeito acumulado do cigarro
O presidente da SBCO, Paulo Henrique de Sousa Fernandes, destaca que o cigarro continua sendo um dos fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento do câncer.
“Mesmo quando não é a causa principal, o cigarro contribui de forma significativa para o desenvolvimento e agravamento da doença, especialmente quando associado ao consumo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada”, afirma.
Embora o número de fumantes tenha diminuído nas últimas décadas no Brasil, os efeitos do tabagismo seguem impactando a saúde da população por muitos anos.
Estudo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Cancerologia aponta que a prevalência de fumantes caiu de 34,8% em 1989 para cerca de 9,3% em 2023. Ainda assim, o câncer relacionado ao tabaco continua aparecendo devido ao longo intervalo entre a exposição ao cigarro e o desenvolvimento da doença.
Cigarro eletrônico preocupa médicos
O avanço dos cigarros eletrônicos também preocupa especialistas. Segundo a SBCO, esses dispositivos podem conter altas concentrações de nicotina e favorecer rápida dependência química, principalmente entre adolescentes e adultos jovens.
Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manteve a proibição da comercialização de cigarros eletrônicos no Brasil. “A única forma de reduzir de fato os riscos é não consumir nenhum produto derivado do tabaco”, alerta Paulo Fernandes.
OMS destaca benefícios de parar de fumar
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que interromper o consumo de cigarro traz benefícios rápidos e progressivos ao organismo.
Segundo a entidade:
- Após 20 minutos, pressão arterial e frequência cardíaca começam a diminuir;
- Após 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue volta ao normal;
- Entre duas e 12 semanas, há melhora da circulação e da função pulmonar;
- Após 10 anos sem fumar, o risco de morte por câncer de pulmão cai aproximadamente pela metade.
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