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Responsabilidade Social • 20:07h • 16 de março de 2026

Superstição ainda influencia abandono e adoção de gatos pretos no Brasil

Estudo com organizações de proteção animal mostra que felinos de pelagem preta ainda enfrentam maior dificuldade para adoção no Brasil

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Trama Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Pesquisa aponta que 68% das ONGs já receberam relatos de abandono de gatos pretos por superstição
Pesquisa aponta que 68% das ONGs já receberam relatos de abandono de gatos pretos por superstição

Apesar de parecer uma crença distante da realidade atual, a ideia de que gatos pretos trazem azar ainda provoca consequências concretas no Brasil. Uma pesquisa realizada pela iniciativa social Cobasi Cuida, da rede Cobasi, ouviu mais de 40 organizações de proteção animal e revelou que 68% das ONGs já receberam relatos ou indícios de abandono de gatos pretos associados a superstições ou crenças pessoais.

O levantamento, intitulado “Abandono e Adoção de Gatos Pretos”, foi realizado em fevereiro de 2026 e também apontou que esses animais costumam permanecer mais tempo à espera de um lar quando comparados a gatos de outras pelagens.

Segundo as organizações participantes da pesquisa, os fatores mais citados para a menor adoção desses animais são a preferência estética, mencionada por 39% das ONGs, e as superstições ou crenças, apontadas por 23% das respostas. A associação negativa entre gatos pretos e azar tem origem histórica. Na Europa medieval, esses animais passaram a ser vinculados a crenças relacionadas à bruxaria e ao sobrenatural. Mesmo séculos depois, essa percepção ainda influencia parte da sociedade e acaba impactando a adoção desses animais.

De acordo com Daniela Bochi, gerente de marketing da Cobasi, o preconceito se reflete diretamente nos processos de adoção. Em muitos casos, os gatos pretos acabam sendo ignorados ou escolhidos por último em feiras e eventos de adoção. Como consequência, esses animais permanecem mais tempo nos abrigos, mesmo apresentando comportamento e necessidades semelhantes aos de qualquer outro gato.

Diante desse cenário, organizações de proteção animal têm buscado estratégias para estimular a adoção desses felinos. A pesquisa aponta que 51% das ONGs já realizaram campanhas específicas voltadas à adoção de gatos pretos.

Entre as ações consideradas mais eficazes estão feiras presenciais de adoção (34%), divulgação em redes sociais (29%), uso de fotografias profissionais dos animais (20%) e parcerias com marcas e influenciadores (15%). Outro dado relevante do estudo é que 97% das ONGs afirmam adotar cuidados extras na adoção de gatos pretos em datas associadas a superstições, como sextas-feiras 13 e Halloween.

Entre as medidas adotadas estão a suspensão temporária das adoções nesses períodos, triagens mais rigorosas de adotantes e até a decisão de não expor gatos pretos em eventos de adoção nessas datas. Além da pesquisa quantitativa, a Cobasi também realizou entrevistas aprofundadas com três ONGs de proteção animal. Todas apontaram a necessidade de ampliar campanhas educativas para combater o preconceito ainda associado à pelagem preta.

Segundo as organizações, a mudança de percepção depende principalmente de informação e visibilidade. Independentemente da cor da pelagem, cada gato possui personalidade, comportamento e necessidades próprias. Para entidades de proteção animal, incentivar histórias reais de adoção e ampliar a conscientização da população são caminhos importantes para reduzir o abandono e aumentar as chances de que esses animais encontrem um novo lar.

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