Ciência e Tecnologia • 09:21h • 09 de junho de 2026
SP usa IA, satélites e Muralha do Fogo para enfrentar El Niño severo
Além da tecnologia, Programa SP Sem Fogo 2026 investiu na compra de caminhões-pipa, equipamentos e treinamento de agentes nos municípios
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
A Defesa Civil do Estado de São Paulo ampliou o uso de tecnologia para reforçar o combate aos incêndios florestais durante a fase vermelha da Operação SP Sem Fogo 2026. A estratégia ganha ainda mais importância diante da previsão de um El Niño de forte intensidade, que deve elevar as temperaturas e aumentar o risco de queimadas em todo o estado.
As medidas foram apresentadas durante o lançamento da Operação SP Sem Fogo 2026, realizado no Palácio dos Bandeirantes. Entre as principais novidades está o Painel de Inteligência SP Sem Fogo, plataforma que utiliza Inteligência Artificial para integrar informações meteorológicas, mapas de risco, registros de ocorrências e dados de monitoramento em tempo real.
O sistema também recebe informações de satélites capazes de identificar focos de incêndio ainda em estágio inicial, permitindo respostas mais rápidas das equipes e, em alguns casos, a antecipação de ações preventivas.
Outra inovação é a chamada Muralha do Fogo, que passa a utilizar as milhares de câmeras do programa Muralha Paulista espalhadas pelo estado para detectar sinais de incêndio. A rede contará ainda com imagens captadas por sistemas de monitoramento instalados em rodovias administradas por concessionárias e pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
A população também poderá contribuir para o monitoramento. Uma parceria com o aplicativo Waze permitirá que motoristas informem a presença de focos de incêndio ativos nas estradas por meio de um novo ícone disponível na plataforma.
Segundo o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel PM Rinaldo de Araujo Monteiro, a meta é fortalecer a capacidade de prevenção e resposta diante do aumento dos riscos durante o período mais crítico do ano.
Plano reforçado para período de estiagem
O plano de contingência para 2026 foi ampliado e agora envolve 613 municípios paulistas, número 55% superior ao registrado em 2024. Mais de 3 mil agentes atuarão diretamente nas ações de prevenção e combate aos incêndios.
Entre os investimentos realizados estão a aquisição de 100 caminhões-pipa, 23 viaturas, 220 kits de combate a incêndios e mais de 300 equipamentos, incluindo capacetes, torres de iluminação e sopradores utilizados pelas equipes em campo.
Como parte da preparação para o período de estiagem, a Defesa Civil promoveu 16 treinamentos presenciais em diferentes regiões do estado. As capacitações reuniram equipes municipais e abordaram temas como prevenção, monitoramento, estratégias operacionais e resposta rápida às ocorrências.
As ações também incluem o acompanhamento permanente de áreas ambientais mais vulneráveis. A Diretoria de Proteção e Fiscalização Ambiental e a Fundação Florestal realizarão monitoramento presencial em 24 unidades de conservação consideradas de alto risco para incêndios florestais.
As atividades tiveram início ainda durante a fase amarela da operação e incluíram vistorias técnicas, percorrendo mais de 1.100 quilômetros e resultando na emissão de notificações para rodovias e concessionárias sobre medidas preventivas.
A Fundação Florestal também ampliará o uso de recursos tecnológicos neste ano. Entre as ferramentas estão sistemas de inteligência artificial, sensoriamento remoto, análise de dados, geração automática de mapas de severidade do fogo, integração com plataformas de monitoramento por satélite, drones equipados com câmeras termais e aplicativos para registro georreferenciado de ocorrências.
El Niño deve aumentar risco de queimadas
O reforço nas ações ocorre em meio às previsões de um El Niño severo. Modelos climáticos da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) indicam que o fenômeno pode estar entre os mais intensos das últimas três décadas.
No Brasil, as projeções apontam aumento das temperaturas acima de 2°C, especialmente durante a primavera e o início do verão. A expectativa é de maior frequência de ondas de calor com temperaturas superiores a 35°C, além da intensificação de eventos climáticos extremos, como tempestades e rajadas de vento.
A Operação SP Sem Fogo reúne esforços de diferentes órgãos estaduais, incluindo as secretarias de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Segurança Pública, Agricultura e Abastecimento, além do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), DER e Fundação Florestal.
O programa atua de forma permanente ao longo do ano e é dividido em fases de monitoramento e resposta, adaptadas às condições climáticas e aos níveis de risco registrados em cada período.
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