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Ciência e Tecnologia • 12:34h • 14 de junho de 2026

SP terá a primeira usina do país para capturar e armazenar carbono do etanol de cana

Iniciativa com investimento estimado de R$ 30 milhões reúne Fapesp, USP, Secretaria de Estado do Meio Ambiente e setor produtivo

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

O estado de São Paulo é o maior produtor de etanol e de açúcar do país.
O estado de São Paulo é o maior produtor de etanol e de açúcar do país.

O Governo de São Paulo anunciou a criação de um projeto voltado ao desenvolvimento da primeira usina brasileira de captura e armazenamento de carbono gerado na produção de etanol de cana-de-açúcar. A iniciativa foi apresentada durante as ações da Semana do Meio Ambiente e prevê a criação do Centro de Tecnologias para Captura e Armazenamento de Carbono Biogênico.

O novo centro será sediado na Escola Politécnica da USP e contará com apoio da Fapesp, da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), da Petrobras, do Grupo São Martinho e do escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados. A equipe ficará responsável por estudar a viabilidade técnica, econômica e ambiental da implantação da futura usina.

A proposta utiliza uma tecnologia conhecida como Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono, considerada uma das alternativas mais promissoras para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O sistema permite capturar o dióxido de carbono liberado durante a produção de etanol e armazená-lo em formações geológicas profundas, impedindo que o gás retorne à atmosfera.

Como São Paulo é o maior produtor de etanol e açúcar do país, a adoção dessa tecnologia poderá transformar o etanol de cana em um combustível com emissão líquida negativa de carbono. Isso significa que, além de emitir menos gases de efeito estufa do que os combustíveis fósseis, o processo poderá remover mais carbono da atmosfera do que gera ao longo de sua cadeia produtiva.

Segundo os pesquisadores envolvidos, a tecnologia de captura e armazenamento já existe, mas o principal desafio será adaptá-la à realidade do setor sucroenergético paulista. Um dos focos dos estudos será encontrar mecanismos que tornem o projeto economicamente viável, incluindo a comercialização de créditos de carbono, compensações ambientais e incentivos regulatórios.

O centro reunirá especialistas de diferentes áreas, como engenharia, geologia, economia, direito e psicologia. Entre as atividades previstas estão a análise do potencial geológico do estado, a identificação de áreas adequadas para o armazenamento do dióxido de carbono e o estudo do marco regulatório necessário para a operação da tecnologia.

Os locais escolhidos deverão estar próximos de reservatórios salinos profundos, formações rochosas localizadas a mais de mil metros de profundidade e preenchidas por água altamente salina, sem utilidade para abastecimento humano.

O projeto terá duração de cinco anos e investimento estimado em R$ 30 milhões. Nos dois primeiros anos, os pesquisadores vão mapear áreas com potencial para receber a usina e avaliar fatores como infraestrutura, custos, impactos ambientais, proximidade de unidades produtoras de etanol e aceitação social da tecnologia. Na etapa seguinte, a expectativa é avançar para a implantação e operação da planta.

Atualmente, o Brasil possui apenas uma unidade de captura e armazenamento de carbono, localizada em Mato Grosso e voltada à produção de etanol de milho. A futura instalação paulista será a primeira do país dedicada exclusivamente ao etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.

A iniciativa integra as estratégias de descarbonização previstas pelo Plano de Ação Climática 2050 e pelo Plano Estadual de Energia, reforçando a busca por soluções que conciliem desenvolvimento econômico, competitividade do agronegócio e redução das emissões de gases responsáveis pelas mudanças climáticas.

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