Responsabilidade Social • 13:14h • 11 de janeiro de 2026
SP coloca mais de 800 espécies de aves em novo catálogo; confira
Estado de São Paulo é habitat de até 40% das espécies brasileiras, mas também o que tem mais espécies extintas e ameaçadas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Luís Fábio Silveira
Pesquisadores da USP, do Instituto de Pesquisas Ambientais e da Unesp atualizaram a lista completa das aves que podem ser avistadas no estado de São Paulo. A nova edição reúne 863 espécies, distribuídas em 31 ordens e 93 famílias, além de indicar o registro de referência de cada uma. O levantamento também aponta 125 espécies ameaçadas de extinção e 20 já consideradas extintas regionalmente. O trabalho, segundo os autores, pode orientar políticas de conservação. Embora São Paulo abrigue cerca de 40% das espécies brasileiras, é também o estado com mais aves ameaçadas e extintas.
A atualização tornou-se necessária porque o catálogo anterior, publicado em 2011, não contemplava espécies registradas posteriormente. A nova publicação, divulgada na revista Papéis Avulsos de Zoologia, inclui 76 espécies e subespécies adicionais e revisa outras já listadas anteriormente. Uma das inovações é reunir não só espécies, mas também subespécies — grupos com características distintas dentro de uma mesma espécie —, o que permite análises mais detalhadas.

Espécies coletadas em São Paulo são parte do acervo do Museu de História Natural de Viena. Foto: Reprodução do artigo
Para Stephanie Lee, mestranda do Instituto de Biociências da USP e primeira autora do estudo, o trabalho segue o princípio de “conhecer para proteger”, servindo como ponto de partida para pesquisas e ações de conservação. A motivação para a nova lista surgiu durante sua pesquisa de mestrado sobre aves criticamente ameaçadas no estado.
A diversidade de ambientes — como Cerrado e Mata Atlântica — faz de São Paulo habitat de grande parte da avifauna brasileira. No entanto, a intensa ocupação humana e a perda de habitat tornam o estado também líder em espécies ameaçadas. No Cerrado paulista, por exemplo, restam cerca de 3% de áreas naturais, o que compromete diversas espécies dependentes desse bioma.
A elaboração da nova lista envolveu revisão minuciosa de registros ornitológicos, bancos de dados e coleções de museus, incluindo espécimes históricos coletados no século 19 e hoje preservados no Museu de História Natural de Viena. As espécies foram classificadas em listas primária, secundária ou terciária, conforme o grau de confiabilidade dos registros, seguindo critérios do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos.
Os pesquisadores destacam que o levantamento é fundamental para que todas as espécies sejam consideradas na formulação de políticas públicas. A lista estadual de fauna ameaçada, publicada em 2018, já está desatualizada e deve ser revisada pelo governo. Segundo o decreto vigente, 125 espécies estão ameaçadas e 20 são consideradas extintas regionalmente, embora algumas criticamente ameaçadas provavelmente já tenham desaparecido.
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