Ciência e Tecnologia • 16:39h • 28 de fevereiro de 2026
Síndrome rara leva dez anos para ser diagnosticada em paciente de 34 anos
Caso de publicitária de 34 anos evidencia desafios no diagnóstico de doenças raras e debate sobre terapias integrativas no Brasil
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Onix Press | Foto: Divulgação
Foram mais de dez anos convivendo com dor, inchaços recorrentes no rosto e sucessivas suspeitas médicas que nunca se confirmavam. A publicitária Ana Claudia Wicher, 34 anos, passou por diferentes especialistas até receber o diagnóstico correto de Síndrome de Sjögren, doença autoimune rara que compromete principalmente as glândulas produtoras de saliva e lágrimas.
Os primeiros sintomas surgiram após um episódio de caxumba. O quadro evoluiu para crises frequentes nas glândulas salivares e episódios de dor e inchaço facial. Ao longo dos anos, o problema foi tratado como obstrução do canal salivar. Em determinado momento, chegou a ser sugerida a retirada da parótida.
O diagnóstico definitivo veio apenas uma década depois, quando exames e avaliação clínica indicaram Síndrome de Sjögren, associada ainda a fibromialgia, síndrome do intestino irritável e enxaqueca, o que tornou o manejo clínico mais complexo.
Diagnóstico clínico e desafio nos exames
Segundo a médica prescritora Paula Vinha, quadros como o de Ana são comuns em doenças autoimunes raras. Os sintomas podem ser evidentes na rotina do paciente, mas nem sempre aparecem em exames laboratoriais.
A Síndrome de Sjögren pode provocar inflamações recorrentes, dor articular, fadiga intensa e alterações nas glândulas salivares. O diagnóstico depende de avaliação clínica detalhada e acompanhamento contínuo.
Cannabis medicinal como alternativa terapêutica
Diante da limitação dos tratamentos convencionais, Ana iniciou terapia com cannabis medicinal, com acompanhamento médico. Há mais de quatro anos utiliza um nanofármaco à base de cannabis liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para importação no Brasil.
A formulação utiliza tecnologia que reduz as moléculas de canabinoides a nanopartículas dispersáveis em meio aquoso, aumentando a biodisponibilidade e potencializando a absorção pelo organismo.
De acordo com a médica, o tratamento é individualizado e exige ajustes de dose e composição de canabinoides conforme o perfil do paciente. O objetivo é controle sintomático e melhora da qualidade de vida.
Para Ana, o impacto foi significativo. Segundo ela, as crises deixaram de ocorrer, a dor foi controlada e a rotina profissional pôde ser retomada sem interrupções frequentes.
Doenças raras e subdiagnóstico
A Síndrome de Sjögren é considerada rara e frequentemente subdiagnosticada, especialmente em mulheres. O Dia Mundial das Doenças Raras, celebrado em 28 de fevereiro, reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e ao diagnóstico precoce.
Estima-se que existam mais de 7 mil doenças raras no mundo, afetando entre 350 e 400 milhões de pessoas globalmente. Embora individualmente tenham baixa incidência, o impacto coletivo é expressivo.
O caso evidencia a importância do olhar integral ao paciente, especialmente em condições crônicas e autoimunes, onde o tempo até o diagnóstico pode influenciar diretamente a qualidade de vida.
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