Ciência e Tecnologia • 19:28h • 19 de agosto de 2026
Síndrome das pernas inquietas: estudo encontra melhora dos sintomas com THC e CBD
Pesquisa acompanhou pacientes durante três meses e encontrou redução dos sintomas com combinação de THC e CBD, mas resultados ainda precisam ser confirmados por estudos maiores
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Onix Press | Foto: Divulgação
Uma combinação de THC e CBD apresentou resultados promissores na redução dos sintomas da síndrome das pernas inquietas, condição neurológica que provoca uma necessidade intensa de movimentar as pernas e pode comprometer principalmente o sono. Os resultados fazem parte de um estudo publicado no Journal of Neurology por pesquisadores ligados ao Hospital Universitário de Getafe e à Universidade Europeia de Madrid, na Espanha.
A síndrome costuma provocar formigamento, arrepios e outras sensações desconfortáveis, especialmente durante períodos de repouso e à noite. Para algumas pessoas, os sintomas dificultam não apenas o sono, mas situações cotidianas que exigem permanecer sentado por períodos prolongados, como viagens.
O que o estudo encontrou
A pesquisa exploratória acompanhou 18 pacientes, sendo 16 deles também diagnosticados com esclerose múltipla. Os participantes receberam uma formulação contendo 2,7 mg de THC e 2,5 mg de CBD, com possibilidade de ajuste da dose depois de quatro semanas.
A intensidade dos sintomas foi avaliada antes do início do tratamento e novamente após um e três meses por meio da escala internacional IRLS, utilizada para medir a gravidade da síndrome das pernas inquietas. Os pesquisadores observaram melhora ao longo do acompanhamento.
Outro resultado chamou atenção: 66,66% dos participantes continuavam utilizando a terapia depois de um ano, mantendo redução na gravidade dos sintomas.
Os próprios pesquisadores, entretanto, destacam que os achados ainda são preliminares. O estudo reuniu apenas 18 participantes, não teve grupo placebo e contou majoritariamente com pessoas que também apresentavam esclerose múltipla. Por isso, são necessários trabalhos maiores, randomizados e controlados antes que os resultados possam ser generalizados.
Resultado ainda não muda tratamento da síndrome
Para Mariana Maciel, médica à frente da biotech canadense Thronus Medical, os dados ajudam a abrir uma nova frente de investigação, mas não devem ser interpretados como comprovação definitiva da eficácia da cannabis para a síndrome.
“O principal mérito deste estudo não é apenas a melhora observada, mas o fato de ele estimular novas pesquisas sobre um sintoma para o qual muitos pacientes ainda têm poucas opções terapêuticas”, afirma. Segundo a médica, o tamanho reduzido da amostra e a ausência de placebo exigem cautela e os resultados ainda não justificam uma mudança na prática clínica.
A especialista também ressalta que tratamentos envolvendo canabinoides não seguem uma dose universal. Formulação, quantidade utilizada e resposta do organismo precisam ser avaliadas individualmente, com acompanhamento médico para observar eficácia e segurança.
Nanotecnologia é outra frente de pesquisa
Paralelamente aos estudos sobre novas aplicações da cannabis medicinal, empresas do setor investigam tecnologias destinadas a melhorar a absorção dos canabinoides pelo organismo.
Uma dessas abordagens utiliza nanotecnologia para reduzir o tamanho das partículas. A Thronus Medical desenvolveu a Power Nano™, tecnologia que, segundo a empresa, trabalha com partículas de aproximadamente 17 nanômetros encapsuladas em solução hidrossolúvel, buscando favorecer a absorção e o início de ação dos princípios ativos.
Apesar dos avanços tecnológicos e dos resultados observados no estudo espanhol, a cannabis medicinal ainda não pode ser apresentada como tratamento comprovado para a síndrome das pernas inquietas com base nessa pesquisa isoladamente. Os achados funcionam principalmente como ponto de partida para investigações clínicas mais robustas.
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