Responsabilidade Social • 19:22h • 25 de agosto de 2026
Seu cão idoso mudou de comportamento? Nem tudo deve ser atribuído à idade
Alterações como dormir mais durante o dia, esquecer hábitos, ficar menos ativo ou apresentar ansiedade podem ser sinais de disfunção cognitiva e merecem avaliação veterinária
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Accrux | Foto: Divulgação
Dormir mais durante o dia, ficar menos ativo ou começar a esquecer comportamentos que sempre fizeram parte da rotina pode parecer apenas consequência da idade. Em cães idosos, porém, mudanças persistentes também podem estar associadas ao declínio cognitivo, segundo pesquisas recentes que reforçam a importância de observar como o animal envelhece.
Um estudo do Dog Aging Project, publicado em 2026, analisou dados de mais de 10 mil cães com mais de oito anos. Entre os animais considerados em risco ou com sinais de disfunção cognitiva canina, os pesquisadores identificaram alterações como aumento do sono durante o dia, menor atividade física, perda de comportamentos aprendidos, maior ansiedade de separação, mudanças no apetite e respostas diferentes diante de situações novas.
A disfunção cognitiva canina é uma condição neurodegenerativa relacionada ao envelhecimento. O problema é que os primeiros sinais podem ser discretos e facilmente interpretados pelos tutores como algo natural da velhice.
Segundo Alan Mora, sócio-diretor nacional do Grupo +Pet, o principal ponto de atenção não é uma mudança isolada, mas a alteração do padrão habitual daquele animal. “Quando existe uma mudança perceptível em relação ao comportamento que aquele animal sempre teve, vale investigar”, afirma.
Mudanças na rotina merecem atenção
Um cão que sempre dormiu durante a noite e passa a ficar inquieto nesse período, por exemplo, merece ser observado. O mesmo vale para animais que começam a dormir grande parte do dia, deixam de responder a comandos conhecidos, parecem desorientados dentro de casa ou mudam a forma de interagir com pessoas da família.
Também podem aparecer dificuldade para reconhecer rotinas, redução da interação social, ansiedade de separação e perda de comportamentos anteriormente aprendidos. Esses sinais, entretanto, não significam automaticamente que o animal tenha disfunção cognitiva.
Outra pesquisa, publicada em fevereiro de 2026 na revista Frontiers in Aging Neuroscience, analisou cães a partir dos oito anos e encontrou relação entre desempenho cognitivo e aspectos como memória, motivação, mobilidade e capacidade sensorial.
Isso é importante porque dor, problemas de mobilidade e perda de visão ou audição também podem modificar o comportamento. Um cão que deixa de subir no sofá pode estar sentindo dor, enquanto aquele que já não responde quando é chamado pode apresentar perda auditiva. A avaliação veterinária ajuda a diferenciar essas situações.
Nem toda mudança deve ser atribuída à idade
Com o aumento da longevidade dos animais, o acompanhamento de cães idosos também passa a considerar mudanças sutis antes que elas comprometam de forma mais intensa a rotina e o bem-estar.
A frequência das avaliações deve ser definida pelo médico-veterinário de acordo com idade, porte, histórico clínico e condições já existentes. Dependendo do caso, podem ser necessários exames laboratoriais, avaliações neurológicas e investigação de dor, visão e audição.
Para Alan Mora, acompanhar o padrão de comportamento ao longo do tempo ajuda a perceber alterações mais cedo. “Quanto mais cedo conseguimos entender a origem de uma mudança, maior é a possibilidade de cuidar da qualidade de vida daquele animal. E, no envelhecimento, qualidade de vida passa justamente por não normalizar tudo como velhice”, conclui.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Educação
Quem são os alunos de Assis, Cândido Mota e Florínea que conquistaram intercâmbio internacional: veja a lista
Jovens de oito municípios estudarão no Canadá, na Irlanda e na Nova Zelândia pelo Prontos pro Mundo e devem entregar documentos até 21 de setembro