Ciência e Tecnologia • 13:46h • 01 de outubro de 2026
Sensor em estudo na Unesp pode acompanhar cicatrização de feridas por mudanças no próprio ferimento
Pesquisa apoiada pela Fapesp combina melanina e grafeno e busca desenvolver tecnologia capaz de monitorar sinais como pH, umidade e oxigênio durante a recuperação
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unesp | Foto: João Vitor Paulin
Um sensor capaz de acompanhar continuamente o que acontece em uma ferida enquanto ela cicatriza está sendo estudado por um pesquisador da Unesp. A tecnologia ainda está em fase laboratorial, mas a proposta é desenvolver um dispositivo que reconheça alterações no microambiente da lesão e transforme essas mudanças em sinais que permitam monitorar sua evolução.
O trabalho é conduzido pelo físico João Vitor Paulin, jovem investigador do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp, no câmpus de Rio Claro. O projeto “Sensores Neuromórficos para Diagnósticos Sustentáveis em Saúde” conta com apoio da Fapesp e investiga a futura aplicação de dispositivos neuromórficos no acompanhamento de ferimentos.
A ideia é reunir diferentes indicadores relacionados à cicatrização em um mesmo sistema. Entre eles estão pH, quantidade de oxigênio e umidade, características que fazem parte do ambiente de uma ferida e podem se modificar durante o processo de recuperação.
Mudanças no pH ajudaram a abrir caminho para a pesquisa
A proposta surgiu a partir dos resultados obtidos anteriormente com um sensor de pH. Segundo Paulin, mudanças nesse indicador podem fornecer informações sobre a evolução de uma lesão.
“Mudanças no pH podem trazer informações importantes sobre a evolução da ferida. Em muitos casos, a diminuição do pH está associada ao avanço da cicatrização, enquanto valores mais elevados podem estar relacionados a feridas crônicas e a condições que favorecem a proliferação de bactérias”, explica o pesquisador.
Sensor em estudo na Unesp monitora sinais que podem revelar evolução de uma ferida | Foto: João Vitor Paulin
O acompanhamento dessas alterações pode ajudar, futuramente, na identificação precoce de possíveis complicações e na orientação dos cuidados, especialmente em pessoas que apresentam dificuldades de cicatrização, como pacientes com diabetes ou problemas circulatórios.
Melanina e grafeno formam a base do sensor
Para desenvolver a tecnologia, os pesquisadores trabalham com uma combinação pouco convencional: melanina e grafeno. Uma camada muito fina de melanina, pigmento encontrado naturalmente no organismo, é colocada sobre um eletrodo de grafeno.
Nesse sistema, o grafeno funciona como material condutor, enquanto a melanina atua como componente sensível às mudanças no ambiente. Alterações de condições como pH e umidade podem modificar estados químicos da melanina e produzir uma resposta elétrica mensurável pelo dispositivo.
A combinação dos materiais já foi testada em um trabalho anterior publicado na revista científica 2D Materials. O estudo demonstrou o potencial da tecnologia para aplicações em ambientes fisiológicos e abriu caminho para a investigação de sensores voltados especificamente ao acompanhamento de feridas.
Apesar dos resultados que motivaram a nova linha de pesquisa, o projeto ainda está distante de uma aplicação clínica. Segundo Paulin, serão necessários novos estudos e testes para avaliar aspectos como estabilidade, segurança e reprodutibilidade da tecnologia.
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