Variedades • 20:29h • 10 de junho de 2026
Salto alto e dor nas costas: quando o sapato deixa de ser estilo e passa a ser um problema para a coluna
Como altura, formato e tempo de uso do calçado podem influenciar a postura, aumentar a sobrecarga muscular e provocar desconfortos que muitas mulheres acabam normalizando
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Âncora1
O salto alto continua presente na rotina de muitas mulheres, seja no ambiente de trabalho, em eventos sociais ou até mesmo no dia a dia. Embora seja frequentemente associado à elegância e à composição do visual, o uso frequente de determinados modelos pode influenciar diretamente a postura e aumentar a sobrecarga sobre diferentes regiões do corpo, especialmente a coluna.
Segundo a fisioterapeuta Dra. Mariana Milazzotto, o impacto não depende apenas da altura do salto. Características como formato, estabilidade, tempo de uso e até a condição física de cada pessoa também entram nessa equação. Quando utilizados de forma prolongada, alguns modelos podem favorecer dores lombares, tensão muscular e alterações na forma de caminhar.
Como o corpo reage ao uso frequente do salto
Ao elevar os calcanhares, o salto modifica o centro de gravidade do corpo e projeta o peso para a frente. Para manter o equilíbrio, a musculatura precisa realizar adaptações constantes, o que pode gerar compensações ao longo da cadeia corporal.
Para Mariana Milazzotto, esse processo explica por que muitas pessoas relatam desconfortos não apenas na lombar, mas também nos ombros, pescoço, quadris, joelhos e pés. "O impacto depende da altura, da base, do tempo de uso e da condição física de cada pessoa. O salto modifica a distribuição de peso e faz o corpo se adaptar para não perder estabilidade. Quando isso acontece muitas vezes, a coluna pode sentir", explica.
O efeito costuma ser ainda mais perceptível em quem já convive com problemas como hérnia de disco, escoliose, dores musculares recorrentes ou alterações posturais. Nesses casos, o calçado pode não ser a causa principal do problema, mas contribuir para agravar sintomas já existentes.
Pequenas escolhas podem reduzir os impactos
A orientação dos especialistas não é necessariamente abandonar o salto, mas fazer escolhas que reduzam a sobrecarga sobre o corpo. Modelos muito altos, finos e instáveis tendem a exigir maior esforço muscular e articular para manter o equilíbrio durante o dia.
Entre as recomendações estão priorizar saltos de até 5 centímetros, optar por bases mais largas e estáveis, evitar calçados excessivamente rígidos ou apertados e alternar o uso com sapatos baixos ao longo da semana. Também é aconselhável evitar saltos em dias que exigem longos períodos em pé ou muitos deslocamentos.
"Para quem já sente dor, vale pensar menos no visual isolado e mais na resposta do corpo. Um salto mais baixo e mais estável costuma ser melhor tolerado do que modelos muito finos ou altos", afirma a fisioterapeuta.
Dor recorrente merece atenção
Sensação de peso na lombar, rigidez no pescoço, cansaço excessivo nas pernas e dores ao final do expediente costumam ser encarados como algo normal por muitas pessoas. No entanto, esses sinais podem indicar que o corpo está compensando sobrecargas de forma contínua.
Segundo Mariana, quando o desconforto aparece repetidamente após o uso de determinados calçados, é importante observar o padrão e buscar orientação profissional. "Se o desconforto é recorrente, se há travamento, sensação de peso ou piora progressiva, o ideal é rever o tipo de sapato e investigar se existe uma sobrecarga postural ou muscular por trás desse quadro", explica.
Além da escolha adequada dos calçados, estratégias como fortalecimento muscular, exercícios de mobilidade e avaliação postural podem ajudar a distribuir melhor as cargas e reduzir o risco de dores no dia a dia.
No fim das contas, a relação entre estilo e conforto não precisa ser uma escolha excludente. Pequenos ajustes na altura ou no formato do sapato podem fazer diferença significativa para a saúde da coluna e para a qualidade de vida ao longo do tempo.
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