Saúde • 08:41h • 05 de fevereiro de 2026
Saliva artificial à base de cana-de-açúcar pode ajudar no tratamento dentário de pacientes com câncer
Descoberta é importante porque pacientes submetidos ao tratamento do câncer de cabeça e pescoço ainda não têm um produto específico que ajude a combater e tratar as cáries mais agressivas, que se desenvolvem após a radioterapia
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP
Uma saliva artificial em forma de enxaguante bucal, desenvolvida a partir de uma proteína extraída da cana-de-açúcar, pode auxiliar no cuidado dos dentes de pacientes com câncer de cabeça e pescoço. A substância, chamada CaneCPI-5, ajuda a proteger o esmalte dentário em pessoas que tiveram a produção de saliva comprometida após a radioterapia.
A pesquisa foi realizada na Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) e teve os resultados publicados na revista científica Journal of Dentistry. Segundo os pesquisadores, a radioterapia aplicada próxima à boca pode danificar as glândulas salivares, reduzindo a saliva, que é essencial para controlar bactérias e prevenir doenças bucais.
Os testes mostraram que a CaneCPI-5 forma uma camada protetora sobre os dentes, reduzindo a ação de ácidos que enfraquecem o esmalte e favorecem o surgimento de cáries. Em laboratório, o enxaguante foi aplicado diariamente em amostras de dentes e apresentou bons resultados na redução da atividade bacteriana e da perda de minerais.
De acordo com as pesquisadoras, a eficácia da proteína é ainda maior quando combinada com flúor e xilitol. A solução ajudou a diminuir a desmineralização dos dentes, processo que os torna mais frágeis e suscetíveis a cáries agressivas, comuns em pacientes que passaram por radioterapia.
Atualmente, não existe no mercado um produto específico para esse tipo de problema. Por isso, a descoberta é considerada promissora, especialmente para pessoas que sofrem de xerostomia, a sensação de boca seca causada pela falta de saliva.
A proteína já teve patente registrada, e o próximo desafio é ampliar a produção em parceria com empresas interessadas. Os pesquisadores também estudam novas formas de aplicação, como gel, spray e filmes que se dissolvem na boca, além de combinações com outras substâncias para potencializar os efeitos do tratamento.
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