Saúde • 08:51h • 16 de março de 2026
Rim lidera fila de transplantes no Brasil por causa de hipertensão e diabetes
Hipertensão e diabetes estão entre as principais causas de falência renal, segundo especialistas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Central Press | Foto: Arquivo/Âncora1
O rim é atualmente o órgão com maior demanda por transplantes no Brasil. Entre 40 mil e 42 mil pessoas aguardam por um rim na fila do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), segundo dados do Ministério da Saúde. A alta procura está diretamente relacionada ao aumento de doenças crônicas como hipertensão arterial e diabetes, que podem levar à perda progressiva da função renal.
Além dos pacientes que aguardam um órgão, cerca de 180 mil brasileiros dependem atualmente de terapias renais substitutivas, como hemodiálise e diálise peritoneal. Aproximadamente 92% desses pacientes realizam hemodiálise, procedimento que substitui parcialmente a função dos rins enquanto o transplante não ocorre.
Segundo o médico nefrologista Alexandre Bignelli, coordenador do Serviço de Transplantes Renais do Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba, a indicação para o transplante ocorre quando o paciente atinge o estágio mais avançado da doença renal crônica.
Nessa fase, conhecida como estágio 5, os rins passam a filtrar menos de 15% da capacidade normal, o que representa cerca de 15 mililitros por minuto. Nesse cenário, o transplante passa a ser considerado a melhor alternativa terapêutica para recuperar qualidade de vida e aumentar a sobrevida dos pacientes.
Um dos desafios no diagnóstico das doenças renais é que elas costumam evoluir de forma silenciosa. Diferentemente de outros problemas de saúde, a dor raramente aparece como sinal de alerta nas fases iniciais. Em muitos casos, a doença só é identificada quando os rins já perderam grande parte da função.
Entre as principais causas da falência renal estão a hipertensão arterial e o diabetes, doenças que podem provocar danos progressivos aos rins quando não são adequadamente controladas. Estimativas indicam que cerca de um terço da população idosa brasileira apresenta algum grau de doença renal crônica.
Outras condições também podem comprometer a função renal, como inflamações nos rins conhecidas como glomerulonefrites, doenças hereditárias como a doença renal policística e problemas que dificultam a eliminação da urina, como refluxo urinário, cálculos renais ou doenças da próstata.
O uso frequente de anti-inflamatórios sem orientação médica também pode causar danos aos rins, especialmente quando utilizado de forma prolongada. Outro fator que influencia a dinâmica dos transplantes renais é a possibilidade de doação em vida. Como o ser humano possui dois rins, uma pessoa saudável pode doar um deles, geralmente para familiares ou pessoas próximas, ampliando as possibilidades de tratamento para quem aguarda na fila.
Mesmo assim, a distribuição de órgãos segue critérios rigorosos estabelecidos pelo Sistema Nacional de Transplantes. A seleção dos receptores leva em consideração fatores como tipo sanguíneo, compatibilidade imunológica, sistema HLA e tempo de inscrição na lista.
Crianças, adolescentes e pacientes em situação crítica que não têm acesso à diálise possuem prioridade no sistema. A confirmação da compatibilidade entre doador e receptor ocorre por meio da chamada prova cruzada, exame que avalia o risco de rejeição do órgão.
Especialistas também destacam que não é necessário estar em diálise para entrar na fila de transplantes. Pacientes com função renal abaixo de 10% da capacidade normal, mesmo em tratamento conservador, já podem ser incluídos no sistema. A prevenção da doença renal envolve hábitos simples, como controle da pressão arterial, acompanhamento do diabetes, alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e redução do consumo de sal e açúcar.
Exames laboratoriais periódicos, especialmente a medição da creatinina, ajudam a monitorar a função renal e permitem identificar problemas precocemente, sobretudo em pessoas com fatores de risco. Outro ponto considerado fundamental para ampliar o número de transplantes no país é a conscientização sobre a doação de órgãos. No Brasil, a autorização para doação após a morte depende da família do paciente.
Segundo especialistas, conversar com familiares sobre o desejo de ser doador pode ajudar a salvar vidas e reduzir o tempo de espera de milhares de pessoas que aguardam um transplante.
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