Variedades • 17:08h • 18 de fevereiro de 2026
Redes sociais impulsionam uso precoce de antidepressivos entre adolescentes
Reconheça os sinais de automedicação e influência das redes sociais no consumo de psicotrópicos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O consumo de antidepressivos entre adolescentes brasileiros tem gerado preocupação entre especialistas em saúde mental. O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking mundial de utilização desses medicamentos, atrás de Estados Unidos, Islândia, Austrália e Canadá, segundo dados da consultoria IQVIA. Paralelamente, conteúdos sobre ansiedade, depressão e uso de medicamentos acumulam milhões de visualizações nas redes sociais, especialmente no TikTok, ampliando a exposição de jovens a informações sobre psicotrópicos.
Levantamento da ONG Acorda Sociedade, realizado com 2.300 estudantes do ensino médio em seis capitais brasileiras, aponta que quatro em cada cinco jovens afirmam já ter feito uso de psicotrópicos ao menos uma vez. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o país está entre os líderes da América Latina no consumo de antidepressivos, com crescimento significativo entre adolescentes de 13 a 17 anos na última década, conforme apontamentos da Fundação Fiocruz.
Influência digital e banalização
A busca por termos como sertralina e fluoxetina nas redes sociais retorna milhares de vídeos com relatos pessoais, explicações simplificadas e conteúdos opinativos. O psicólogo Jair Soares, fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas, alerta que a linguagem informal e a forte influência digital podem levar à banalização do uso de medicamentos.
Segundo ele, o antidepressivo passa a ser visto como solução imediata para sofrimento emocional, o que pode estimular experimentação sem prescrição. Especialistas destacam que o uso inadequado de psicotrópicos pode causar efeitos colaterais importantes e agravar quadros emocionais quando não há acompanhamento profissional.
Cinco sinais de alerta
A automedicação tende a ocorrer de forma gradual. Pais e educadores devem observar comportamentos recorrentes que podem indicar risco:
- Mudanças bruscas de humor ou apatia prolongada;
- Afastamento de amigos e familiares;
- Alterações significativas no sono ou na alimentação;
- Queda no rendimento escolar;
- Interesse repentino e intenso por conteúdos sobre depressão e ansiedade nas redes sociais.
Especialistas ressaltam que a adolescência envolve oscilações emocionais naturais, mas alterações persistentes e intensas exigem avaliação clínica.
Escola e família como rede de proteção
Ambientes escolares podem identificar precocemente mudanças comportamentais. Protocolos de acolhimento e apoio psicopedagógico são apontados como ferramentas importantes para evitar agravamento do quadro.
Em casa, o diálogo aberto e sem julgamento é considerado essencial. Monitoramento digital deve ocorrer com orientação e conversa, evitando abordagens exclusivamente punitivas. O acompanhamento por psiquiatra e psicólogo é indicado sempre que houver suspeita de uso de medicamento psicoativo por menores de idade.
Abordagem clínica e acompanhamento
Especialistas defendem que o tratamento de sofrimento emocional em adolescentes deve considerar avaliação multidisciplinar. A prescrição de antidepressivos, quando necessária, deve ser feita por profissional habilitado e acompanhada de suporte terapêutico.
O alerta central é que a automedicação pode mascarar sintomas e atrasar intervenções adequadas. Identificação precoce, escuta qualificada e acesso a acompanhamento profissional são apontados como estratégias fundamentais para preservar a saúde mental de adolescentes.
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