Variedades • 18:24h • 09 de junho de 2026
Redes sociais e inteligência artificial transformam a forma como jovens buscam informação
Pesquisa mostra crescimento do uso de ferramentas de IA entre crianças e adolescentes, enquanto especialistas alertam para os desafios da formação do pensamento crítico
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da PG1 | Foto: Arquivo/Âncora1
A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de crianças e adolescentes brasileiros e começa a influenciar não apenas os estudos, mas também a forma como os jovens buscam informações, produzem conteúdo e lidam com questões pessoais. Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil revelam que 59% dos usuários de internet entre 9 e 17 anos utilizam ferramentas de IA generativa para pesquisas escolares ou estudos, enquanto 42% recorrem à tecnologia para buscar informações e 21% para criar textos, imagens, vídeos ou códigos.
O levantamento também mostra que o consumo de notícias pela internet cresce conforme a idade. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, 64% afirmaram ler ou assistir conteúdos informativos online. O percentual cai para 50% na faixa de 13 a 14 anos, 39% entre 11 e 12 anos e 31% entre crianças de 9 e 10 anos.
Formação cidadã passa pelas telas
Para Patrícia Espíndola De Lima Teixeira, psicopedagoga e coordenadora do Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista, a influência das tecnologias digitais vai muito além do entretenimento. Segundo ela, a maneira como os jovens consomem conteúdos online passou a ter papel importante na construção de valores, opiniões e da própria participação cidadã.
"Em um cenário em que a desinformação, a polarização e o isolamento desafiam as instituições em todo o mundo, a forma como crianças e adolescentes consomem tecnologia tornou-se um debate central para o futuro da própria educação democrática e cidadã", afirma.
Um dos dados que mais chamaram atenção dos pesquisadores foi o uso da inteligência artificial para questões pessoais. Segundo a pesquisa, 10% dos entrevistados disseram já ter utilizado essas ferramentas para conversar sobre problemas pessoais ou emoções. Para a especialista, esse comportamento exige atenção, principalmente porque algoritmos podem reforçar opiniões já existentes e limitar o contato com visões diferentes sobre um mesmo assunto.
"Além dos riscos à privacidade, há também o perigo de respostas influenciadas pelo chamado viés de confirmação. Nesses casos, o algoritmo tende a oferecer conteúdos alinhados às expectativas do usuário, o que pode limitar a capacidade de lidar com o contraditório", explica Patrícia.
Redes sociais ampliam alcance das informações
A pesquisa também mostra o peso crescente das redes sociais na vida dos jovens brasileiros. Entre crianças de 9 a 10 anos, 33% afirmaram utilizar essas plataformas. O índice sobe para 63% entre usuários de 11 e 12 anos e alcança 89% entre adolescentes de 13 a 17 anos.
Diante desse cenário, especialistas defendem que a alfabetização digital deve ocupar espaço cada vez maior dentro das famílias e das instituições de ensino. A preocupação não está apenas no acesso às informações, mas na capacidade de interpretar conteúdos, verificar fontes e identificar possíveis desinformações.
Graciele Silva de Matos, assessora de políticas sociais da Área de Solidariedade da Rede Marista, destaca que o hábito de conferir a origem das informações se tornou uma habilidade essencial. Segundo ela, verificar a fonte, o autor, a data da publicação e utilizar ferramentas de checagem pode ajudar a evitar a disseminação de conteúdos enganosos.
A pesquisa ouviu 2.370 crianças e adolescentes e o mesmo número de pais ou responsáveis em todo o país. Os resultados reforçam que a inteligência artificial e as redes sociais já fazem parte da formação das novas gerações e apontam para um desafio cada vez mais presente: garantir que o avanço tecnológico venha acompanhado do desenvolvimento do pensamento crítico, da autonomia e da participação consciente na vida em sociedade.
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