Variedades • 20:46h • 16 de setembro de 2026
Receitas, trends e influenciadores fazem TikTok entrar nas escolhas alimentares dos adolescentes
Vídeos, influenciadores, anúncios e tendências despertam interesse por alimentos, enquanto jovens também transformam a plataforma em fonte de receitas e novos preparos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lumiere | Foto: Divulgação
O conteúdo que adolescentes encontram no TikTok pode ultrapassar a tela e chegar até suas escolhas alimentares. Um estudo publicado em 2026 no Journal of Nutrition Education and Behavior, realizado com 25 jovens de 15 e 16 anos, identificou tendências, anúncios, comentários, aparência dos alimentos e recomendações de influenciadores entre os estímulos associados ao interesse por determinadas comidas. Ao mesmo tempo, participantes relataram utilizar a plataforma para procurar receitas, aprender preparos e descobrir opções consideradas mais saudáveis.
A pesquisa é qualitativa e foi realizada com um grupo pequeno, portanto seus resultados não representam o comportamento de todos os adolescentes. Ainda assim, os relatos ajudam a compreender como aquilo que aparece repetidamente no feed pode despertar curiosidade e influenciar decisões relacionadas à alimentação.
No Brasil, a dimensão desse contato chama atenção. Pesquisa do Opinion Box com 1.066 usuários do TikTok mostrou que 49% utilizam a plataforma para descobrir coisas novas e 34% acompanham conteúdos relacionados à gastronomia e receitas. Entre os entrevistados, 66% seguem criadores de conteúdo e 53% já compraram algo indicado por outros usuários ou influenciadores.
Quando o vídeo desperta vontade de experimentar
Entre os adolescentes participantes do estudo internacional, alguns relataram mudanças na própria alimentação depois de acompanhar influenciadores e seus estilos de vida. Outros enxergam a rede como ferramenta para descobrir receitas e aprender novas formas de preparar alimentos.
Para a nutricionista Andressa Meira, da Merendô!, o acompanhamento familiar pode partir do diálogo sobre o conteúdo consumido. Questionar quem recomenda determinado alimento, por qual motivo e se existe publicidade envolvida pode ajudar o adolescente a desenvolver critérios para interpretar aquilo que encontra nas redes.
Essa leitura também pode ser aplicada fora do ambiente digital. Uma pesquisa do Centro Universitário de Volta Redonda analisou 30 alimentos ultraprocessados direcionados principalmente ao público infantil e constatou que todos apresentavam personagens ou outros elementos visuais voltados às crianças. Em 53% das embalagens havia alegações nutricionais.
Da tela para a prateleira
A composição desses produtos mostrou outro contraste. Entre os alimentos analisados, 67% apresentavam excesso de açúcares totais, 13% tinham excesso de gordura saturada e 10%, de sódio. Em 33% das embalagens, os pesquisadores não encontraram a rotulagem nutricional frontal obrigatória.
A nutricionista orienta que adolescentes sejam estimulados a observar não apenas aquilo que ganha destaque na embalagem ou no vídeo, mas também informações como lista de ingredientes e tabela nutricional. A mesma lógica ajuda a identificar quando uma recomendação nas redes pode estar associada a algum interesse comercial.
A família e a escola também aparecem como espaços capazes de ampliar essa educação alimentar. No estudo sobre o TikTok, os adolescentes relataram pouca interferência dos pais sobre conteúdos relacionados à alimentação, embora tenham surgido exemplos de responsáveis que ajudavam a questionar informações recebidas pelas redes.
Em vez de transformar cada alimento descoberto no TikTok em proibição, a orientação é aproveitar o interesse para conversar sobre escolhas, publicidade e informações nutricionais. Na escola, o contato com diferentes alimentos, sabores e preparações também pode contribuir para que crianças e adolescentes desenvolvam referências próprias sobre alimentação.
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