Economia • 10:21h • 28 de agosto de 2026
Receita sobre dividendos bate recorde mensal, mas ainda está distante dos R$ 17,2 bilhões previstos
Receita acumulada até julho representa 18,3% dos R$ 17,2 bilhões projetados para o ano, mas cobrança cresce mês a mês e registrou recorde em julho
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da EBC | Foto: Divulgação
A Receita Federal arrecadou R$ 3,145 bilhões entre janeiro e julho de 2026 com o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre lucros e dividendos, uma das medidas adotadas para compensar a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. O resultado equivale a 18,3% dos R$ 17,2 bilhões atualmente previstos para todo o ano e deixa aproximadamente R$ 14,05 bilhões a serem arrecadados entre agosto e dezembro caso a projeção seja alcançada.
A distância em relação à meta ocorre mesmo depois de uma redução significativa na estimativa oficial. Inicialmente, o governo calculava obter cerca de R$ 28 bilhões com a tributação dos dividendos. Em julho, o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas reduziu a previsão para R$ 17,2 bilhões, corte de R$ 10,8 bilhões, equivalente a aproximadamente 38,6%.
Dos R$ 3,145 bilhões recolhidos nos primeiros sete meses, R$ 2,043 bilhões vieram de dividendos pagos a residentes no Brasil, aproximadamente 65% do total. Outros R$ 1,102 bilhão, cerca de 35%, correspondem a valores pagos ou remetidos ao exterior.
Arrecadação saltou de R$ 5,5 milhões para R$ 906,65 milhões por mês
Embora o acumulado ainda represente menos de um quinto da projeção anual, a trajetória mensal mostra crescimento. A arrecadação saiu de R$ 5,5 milhões em janeiro para R$ 151,5 milhões em fevereiro, R$ 306,6 milhões em março e R$ 421,5 milhões em abril.
O avanço continuou nos meses seguintes, com R$ 651,9 milhões em maio e R$ 701,5 milhões em junho. Julho alcançou R$ 906,65 milhões e tornou-se o melhor mês desde o início da cobrança. Comparado a junho, o crescimento foi de R$ 205,15 milhões, ou aproximadamente 29,2%.
A parcela referente aos dividendos enviados ao exterior também ganhou espaço. Foram R$ 419,28 milhões somente em julho, contra R$ 5 milhões registrados em janeiro.
Receita diz que distribuição de lucros não segue calendário fixo
Apesar da diferença entre o valor acumulado e a projeção para 2026, a Receita Federal considera prematuro concluir que o resultado ficará abaixo do esperado. Segundo o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros do órgão, Claudemir Malaquias, “tecnicamente, não há fundamentos para dizer que a arrecadação com IRRF sobre dividendos está abaixo do esperado”.
Um dos motivos é a própria dinâmica da distribuição dos lucros. Diferentemente do imposto descontado mensalmente dos salários, o recolhimento sobre dividendos depende das decisões das empresas sobre quando distribuir os recursos aos acionistas e sócios, o que impede uma divisão uniforme da estimativa pelos 12 meses do ano.
As projeções também são revistas periodicamente de acordo com as informações disponíveis. A próxima atualização está prevista para setembro, durante a divulgação do novo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.
Tributação começou em janeiro de 2026
A cobrança entrou em vigor em 1º de janeiro, após as mudanças estabelecidas pela Lei 15.270, de novembro de 2025. Para pessoas físicas residentes no Brasil, há incidência de 10% quando os lucros e dividendos pagos por uma mesma empresa a uma mesma pessoa ultrapassam R$ 50 mil no mesmo mês.
A alíquota de 10% também foi estabelecida para lucros e dividendos pagos, creditados ou remetidos ao exterior. A mudança integra o mecanismo de compensação criado após a ampliação da faixa de isenção do IRPF para rendimentos mensais de até R$ 5 mil e a redução do imposto para contribuintes com renda de até R$ 7.350 por mês.
A equipe econômica havia estimado inicialmente perda de aproximadamente R$ 28,04 bilhões na arrecadação de 2026 em razão da ampliação da isenção. A tributação dos dividendos foi planejada para recuperar parte desses recursos.
Cinco meses concentram o desafio para alcançar a projeção
Considerando os R$ 3,145 bilhões arrecadados até julho, seriam necessários cerca de R$ 14,05 bilhões adicionais entre agosto e dezembro para atingir os R$ 17,2 bilhões previstos. Isso corresponde a uma média aproximada de R$ 2,81 bilhões por mês nos cinco meses restantes, valor mais de três vezes superior aos R$ 906,65 milhões registrados em julho.
Essa comparação, entretanto, não significa que a arrecadação precise efetivamente seguir essa média mensal. A Receita ressalta que a distribuição de dividendos não ocorre de maneira linear e que os valores podem se concentrar em determinados períodos.
Será a revisão de setembro que oferecerá uma nova referência sobre o comportamento da receita e a possibilidade de cumprimento da estimativa anual, depois de sete meses em que a cobrança saiu de R$ 5,5 milhões e alcançou seu primeiro resultado mensal acima de R$ 900 milhões.
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