Variedades • 10:50h • 18 de outubro de 2026
É que a viola fala alto no meu peito humano: uma homenagem à cultura caipira
Inspirada pelo espetáculo Viola à Luz de Velas, reflexão resgata a simplicidade da vida no campo, os valores da cultura caipira e a importância de desacelerar em tempos de tanta correria
Coluna | Ana Clara Vasques Gimenez | Foto: Arquivo Pessoal
É que a viola fala alto no meu peito humano
No último dia 16 de outubro de 2026, prestigiei um espetáculo magnífico, chamado viola a luz de velas. Trata-se de uma iniciativa de músicos da cidade de Botucatu, que se especializaram na música Caipira brasileira

Essa homenagem a música caipira foi carinhosamente quem sabe realizada os delas. E, serviu para me lembrar sobre a simplicidade de uma vida no campo, da rotina é organização das coisas e do cuidado com que mulheres e homens do campo levam suas vidas e seguem compondo a sua própria história.
Em tempos de tanta correria, a todo momento precisamos rever quais são as nossas prioridades, especialmente para que ela se encaixem com algum objetivo profissional. Essa foi a vida que o Caipira, quando partiu para a cidade grande, mais questionou se haveria sentido e descobriu, com dor no coração e saudade da sua terra, que não fazia no final das contas.
Não dizemos aqui, que a maior sabedoria do Caipira, como uma figura do interior, seja aquela casca de “preguiça”, que ficou muito famosa com o quadro “Caipira Picando Fumo”, de Almeida Júnior.
(Almeida Júnior, 1893, Pinacoteca de São Paulo)
Infelizmente, para aqueles que não compreendem a beleza do sertão, da natureza em si, ficam distantes do que realmente é viver como um caipira.
A música, contada por séculos e décadas por esses caipiras, nos ensina valores como cuidado entre familiares, amor pela natureza, dignidade no trabalho e contemplação da vida e da arte.
Como é bom ter tempo para dizer a quem ama que está chegando para uma visita despretensiosa, e por isso, pede carinhosamente, que coloque o bule no fogão, para sentar ao redor daquela mesa e contar histórias, lembrando dos tempos de criança, ou daquele ipê florido que tanto vivenciou, dos amigos e amigas que passaram pelas mesmas empreitados perigosas, e que guardam o coração uma saudade da sua terra que, corresponde mais ao tempo vivido do que um local específico.
Quem tem pressa, e faz com que os outros também tenham, não pode fazer Romaria. Não conhece as manhas (que exige o mundo), tampouco as manhãs.
Pode até saber o gosto das massas e das maçãs, mas não seu sabor.
Quando eu penso em tudo isso, imagino um direito onde possa se fazer justiça àqueles e àquelas que precisar passar a vida “marvada” ruminando, com pouco tempo para apreciar aquele luar do Sertão, como “filhos da liberdade”, e sentir que “De dia tem sol que brilha, à noite céu estrelado”.
Embora, como advogada, esperem consultorias e explicações sobre as recentes mudanças legislativas ou jurisprudências (como a escala 6x1, por exemplo), hoje dedico, antes de tudo, essa homenagem à cultura caipira.
E peço um pouco de tempo, para o leitor e leitora, para que olhem para a natureza, sintam a terra e o ar. Enquanto ainda temos esse privilégio. No mais, “pra todo aquele que só fala que eu não sei viver: passa lá em casa numa visitinha que no verso e no reverso da vida inteirinha, há de encontrar-me no cateretê”; tocando uma moda de viola.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos