Mundo • 13:10h • 26 de agosto de 2026
Quase metade dos profissionais vê atraso nos treinamentos oferecidos pelas empresas
Levantamento internacional mostra distância entre capacitação e necessidades do trabalho; planejamento para 2027 reforça uso de dados e desenvolvimento contínuo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria de Imprensa NR7 | Foto: Divulgação
Enquanto empresas começam a definir prioridades e investimentos para 2027, um levantamento chama atenção para um problema na formação profissional: 41% dos trabalhadores afirmam que os treinamentos chegam tarde demais para atender às suas necessidades. Ao mesmo tempo, 91% das lideranças de RH consideram estratégico desenvolver novas competências dentro das organizações.
Os dados são do Barômetro Internacional Cegos 2026, realizado com 5.524 colaboradores e 498 diretores e gerentes de RH ou treinamento em 11 países. O cenário coloca em discussão não apenas quanto as empresas investem em capacitação, mas quando, para quem e com qual objetivo esses treinamentos são oferecidos.
Promoção a líder exige novas competências
Um dos desafios aparece quando profissionais de carreiras técnicas assumem equipes sem preparação específica para a gestão de pessoas. Competências que ajudaram na promoção não são necessariamente as mesmas exigidas para dar feedback, conduzir conversas difíceis, desenvolver profissionais e administrar conflitos.
Em webinar promovido pela Crescimentum, representantes da consultoria e da Votorantim Cimentos defenderam que o planejamento das capacitações seja baseado em problemas concretos das empresas. Indicadores de turnover, clima organizacional, desempenho e sucessão podem ajudar a identificar quais competências precisam ser desenvolvidas e onde o investimento terá maior impacto.
A duração e o formato também devem acompanhar o objetivo. Ensinar uma ferramenta específica pode exigir poucas horas, enquanto mudanças de comportamento precisam de experiências práticas e acompanhamento posterior. Mentorias, projetos, encontros presenciais e on-line e atividades aplicadas ao cotidiano são algumas das estratégias utilizadas.
Inteligência artificial entra na discussão para 2027
A IA também aparece entre as preocupações para os próximos ciclos de capacitação. Segundo o Barômetro, 68% das lideranças de RH apontam inteligência artificial e automação como as principais transformações que afetarão as competências das organizações nos próximos dois anos.
A avaliação apresentada durante o debate, porém, é que empresas não devem incluir treinamentos de IA apenas porque o tema ganhou espaço. Antes, precisam definir como a tecnologia será incorporada aos processos e quais competências serão realmente necessárias aos profissionais.
Outro dado do levantamento reforça a velocidade dessa transformação: 23% dos empregos atuais podem enfrentar obsolescência de competências nos próximos três anos, segundo a percepção dos profissionais de RH pesquisados. Para o planejamento de 2027, a tendência é aproximar cada vez mais a formação das necessidades reais do trabalho e acompanhar posteriormente se o desenvolvimento produziu mudanças nos indicadores que motivaram o investimento.
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