Responsabilidade Social • 17:06h • 05 de abril de 2026
Quase metade dos cuidadores no Brasil dedica 9 horas ou mais por dia ao cuidado de familiares
Pesquisa revela sobrecarga, acúmulo com trabalho e falta de tempo para si em rotina que já impacta milhões de brasileiros
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mosaike Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Cuidar de um familiar no Brasil deixou de ser uma tarefa pontual e passou a ocupar grande parte do dia. Pesquisa nacional da HSR Health mostra que 46% dos cuidadores não profissionais dedicam nove horas ou mais diariamente a atividades como alimentação, higiene, administração de medicamentos e supervisão constante.
O levantamento, realizado com 100 cuidadores de diferentes regiões do país, revela um perfil marcado por sobrecarga e acúmulo de funções. A maioria é formada por mulheres em idade produtiva, sendo 69% do total. Entre os entrevistados, 72% cuidam de pessoas com 60 anos ou mais, e 97% assistem familiares próximos.
Além disso, 93% estão em idade produtiva, entre 35 e 54 anos, e mais da metade exerce essa função há pelo menos três anos, o que indica um compromisso prolongado e contínuo com o cuidado.
Rotina intensa e impacto direto na vida pessoal
Os dados mostram que o cuidado raramente acontece de forma isolada. A pesquisa aponta que 67% dos cuidadores conciliam essa responsabilidade com alguma atividade profissional, o que exige uma reorganização profunda da rotina.
Como consequência, o tempo pessoal se torna escasso. Segundo o estudo, 32% afirmam não ter tempo para si, evidenciando um cenário de desgaste físico e emocional.
Relatos reunidos na pesquisa ajudam a dimensionar essa realidade. Uma das participantes resume a rotina ao dizer que o dia começa e termina cuidando, enquanto outra relata a impossibilidade de manter uma vida pessoal diante da necessidade constante de atenção ao familiar.
Cuidado doméstico se torna questão estrutural
Para Lucas Pestalozzi, sócio e head de Inovação da HSR Specialist Researchers, o cenário reflete uma transformação mais ampla na sociedade brasileira. “O Brasil está envelhecendo rapidamente e o cuidado deixou de ser um tema restrito à saúde para se tornar uma questão estrutural da vida social. Hoje, o maior hospital do país é o próprio lar, operado por familiares sem preparo técnico”, afirma.
O estudo também aponta a falta de suporte como um dos principais agravantes desse cenário. Segundo os dados, 88% dos cuidadores não recebem apoio emocional e muitos não contam com substitutos para dividir a responsabilidade.
Risco de exaustão e necessidade de apoio
A combinação entre carga horária elevada, pressão emocional e ausência de suporte aumenta o risco de esgotamento. Além do impacto individual, essa realidade já começa a refletir na organização social e na saúde pública.
“Não se trata apenas do tempo dedicado, mas de um conjunto de tensões que envolve culpa, sobrecarga e conflito entre trabalho e cuidado. O risco de exaustão é real”, destaca Pestalozzi.
Diante desse cenário, o estudo reforça a necessidade de ampliar o debate sobre o cuidado como responsabilidade coletiva, com a criação de redes de apoio, políticas públicas e soluções que reduzam a sobrecarga de quem assume essa função no dia a dia.
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