Variedades • 18:39h • 15 de junho de 2026
Quase 1 em cada 5 estudantes brasileiros diz recorrer à Inteligência Artificial por causa da solidão
Pesquisa inédita aponta dificuldades de socialização entre adolescentes e indica que programas socioemocionais nas escolas ajudam a reduzir o isolamento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova PR | Foto: Arquivo/Âncora1
Uma pesquisa inédita realizada pela Arco Educação com alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio de escolas privadas de todo o Brasil revelou um novo aspecto da relação entre jovens e tecnologia: 19% dos estudantes afirmam recorrer regularmente a ferramentas de Inteligência Artificial para conversar ou fazer companhia quando se sentem sozinhos. O levantamento também identificou que mais da metade dos entrevistados enfrenta dificuldades para criar novas amizades.
De acordo com o estudo, 52% dos estudantes relatam ter alguma ou muita dificuldade para fazer novos amigos, enquanto 17% afirmam sentir solidão com frequência. Os dados sugerem que o uso da Inteligência Artificial, para parte desse público, está associado não apenas à curiosidade tecnológica, mas também à busca por interação e acolhimento.
A pesquisa destaca que a solidão na adolescência não está necessariamente ligada à ausência de contatos, mas à dificuldade de construir e fortalecer vínculos no ambiente escolar e fora dele.
Meninas e estudantes do Ensino Médio relatam maior vulnerabilidade
Ao analisar os resultados por perfil, o levantamento identificou diferenças importantes. As meninas apresentaram índices mais elevados de dificuldade para formar novas amizades e também aparecem com maior frequência entre aquelas que utilizam ferramentas de IA como companhia em momentos de isolamento.
Outro ponto de atenção é a transição para o Ensino Médio. Segundo a pesquisa, a sensação de solidão frequente cresce de 16% nos anos finais do Ensino Fundamental para 25,7% entre os alunos do Ensino Médio, fase marcada por mudanças acadêmicas, novos desafios e aumento das expectativas em relação ao futuro.
Além disso, 32% dos entrevistados afirmaram sentir que as pessoas raramente ou nunca demonstram interesse pelo que eles têm a dizer, um indicador que reforça a importância de espaços de escuta e acolhimento.
Inteligência Artificial aparece como companhia, mas não substitui relações reais
Para a gerente de Soluções Educacionais da Arco e líder do estudo, Francila Novaes, os dados mostram que a solidão vai além da quantidade de conexões nas redes sociais. Segundo ela, a principal dificuldade está em iniciar interações presenciais e manter relações de amizade de forma consistente ao longo do tempo.
Nesse contexto, a Inteligência Artificial surge como uma ferramenta acessível para conversas e apoio momentâneo, mas especialistas ressaltam que ela não substitui as experiências de convivência e pertencimento construídas nas relações humanas.
Educação socioemocional pode ajudar a reduzir o isolamento
O levantamento também identificou resultados positivos em escolas que desenvolvem programas estruturados de educação socioemocional. Nas instituições com esse tipo de iniciativa, houve redução dos indicadores relacionados à falta de pertencimento e ao sentimento de solidão frequente.
Segundo a pesquisa, essas escolas também registraram menor utilização da Inteligência Artificial como forma de compensar a ausência de interação social, sugerindo que ambientes escolares com foco em acolhimento, diálogo e convivência podem contribuir para fortalecer a saúde emocional dos estudantes.
Os resultados reforçam um debate cada vez mais presente na educação: em uma era marcada pelo avanço das tecnologias digitais, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e a criação de espaços seguros para a construção de vínculos ganham importância crescente dentro e fora da sala de aula.
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