Educação • 16:03h • 18 de setembro de 2026
Quantos casos de bullying há nas escolas de Assis? Prefeitura ainda não tem levantamento consolidado
Prefeitura afirma manter ações permanentes de prevenção, protocolos e atendimento aos estudantes, mas reconhece que não existe sistema em rede capaz de mostrar quantos casos de violência escolar foram registrados nos últimos três anos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Arquivo/Âncora1
A Prefeitura de Assis ainda não dispõe de um levantamento consolidado que permita saber quantos casos de bullying, ameaças, agressões físicas e outras formas de violência foram registrados nas escolas municipais nos últimos três anos. A informação foi apresentada pelo Executivo em resposta ao Requerimento nº 645/2026, do vereador Pastor Edinho, que solicitou dados sobre prevenção, identificação e atendimento dessas ocorrências na rede municipal de ensino.
Embora os casos sejam acompanhados individualmente pelas unidades escolares e pela Supervisão de Ensino, a administração informou que ainda não existe um sistema de mapeamento em rede. Com isso, a resposta não apresenta números anuais de ocorrências nem permite dimensionar, a partir de uma base municipal consolidada, a evolução do problema nas escolas de Assis.
Ao mesmo tempo, a Secretaria Municipal de Educação afirma que mantém ações permanentes de prevenção e enfrentamento às violências e ao bullying. O trabalho é planejado pelas próprias escolas conforme as necessidades identificadas em cada comunidade, com acompanhamento do Núcleo Pedagógico e participação de uma Equipe Multiprofissional que, segundo o documento, está em fase de implementação.
Casos são acompanhados, mas falta um retrato de toda a rede
A ausência de dados consolidados é um dos principais pontos revelados. Questionada especificamente sobre registros dos últimos três anos e a quantidade de casos por ano, a Prefeitura informou apenas que as ocorrências são acompanhadas pelas unidades e pela Supervisão de Ensino.
Isso significa que há acompanhamento dos episódios identificados, mas o município ainda não apresentou uma base centralizada capaz de mostrar quantos casos aconteceram, em quais períodos houve maior incidência ou como esses registros evoluíram ao longo do tempo.
A rede possui protocolo para identificar, registrar e encaminhar situações de bullying e violência escolar. Quando um caso é identificado, pais ou responsáveis são acionados pela escola, recebem os encaminhamentos adotados e participam dos alinhamentos considerados necessários.
Estudantes têm acompanhamento e profissionais recebem formação
Segundo a Prefeitura, alunos envolvidos em episódios de violência ou bullying podem receber acompanhamento psicológico, pedagógico ou social. Há ainda articulação entre escolas, Secretaria de Educação e serviços das áreas de Saúde, Assistência Social e outros órgãos da rede de proteção.
Os profissionais da educação também recebem formações sobre o tema conforme as demandas identificadas nas unidades. O trabalho envolve especialmente coordenadores pedagógicos, técnicos locais e a Equipe Multiprofissional, com o objetivo de preparar as equipes para reconhecer e conduzir essas situações.
A prevenção é incorporada de forma transversal ao currículo, com temas relacionados à convivência ética, respeito às diferenças, cultura de paz, enfrentamento ao racismo e outras formas de violência. O município também informou ter aderido ao programa federal Escola que Protege, voltado à proteção de crianças e adolescentes e ao enfrentamento da violência no ambiente escolar.
Cyberbullying também entrou nas ações da rede
A resposta mostra que a preocupação já alcança o ambiente digital. Cyberbullying e outras formas de violência praticadas por redes sociais e aplicativos de mensagens são abordados nas atividades pedagógicas e nas ações de educação digital e midiática.
Em julho de 2026, a Secretaria Municipal de Educação publicou a Resolução SME nº 7/2026, que estabeleceu a Política de Educação Digital e Midiática da Rede Municipal de Ensino. Entre as diretrizes estão o uso responsável, seguro, ético e crítico das tecnologias e a prevenção e o enfrentamento da violência no ambiente digital.
O cenário apresentado ao vereador Pastor Edinho reúne duas situações distintas.
Assis já possui protocolos, ações preventivas, atendimento aos estudantes e articulação com outros serviços públicos, mas ainda não dispõe de um sistema municipal consolidado que transforme os registros das escolas em dados capazes de revelar a dimensão do bullying e das demais formas de violência na rede.
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