Variedades • 18:31h • 07 de novembro de 2026
Quando celular e internet falham, radioamadores ajudam a salvar vidas em situações de emergência
No Dia Nacional do Radioamador, celebrado na última quinta-feira, histórias de voluntários mostraram a importância da comunicação por rádio durante desastres e apagões
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do MCom | Foto: Divulgação
Em situações de emergência, quando a falta de energia interrompe o funcionamento de celulares e da internet, a comunicação por rádio pode ser fundamental para coordenar resgates e transmitir informações. Celebrado em 5 de novembro, o Dia Nacional do Radioamador destaca a atuação de pessoas que utilizam equipamentos de radiocomunicação tanto por interesse técnico quanto para prestar auxílio à população durante desastres.
Um exemplo ocorreu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, durante a tragédia climática de 2022, que deixou mais de 240 mortos. Com bairros isolados e serviços de comunicação comprometidos, radioamadores voluntários auxiliaram a Defesa Civil na transmissão de informações entre áreas atingidas e equipes de atendimento.
O radioamador Anderson Xavier, que atua há 32 anos na atividade e integra a direção da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão (LABRE), relembra a importância desse trabalho. Segundo ele, os voluntários ajudaram a conectar pontos isolados pelas enchentes, permitindo que informações chegassem às equipes responsáveis pelos resgates.
Radioamadorismo vai além de um hobby
Diferentemente das emissoras comerciais, que transmitem programação para o público, o radioamadorismo permite a comunicação entre operadores habilitados, inclusive a longas distâncias. A atividade envolve conhecimentos de eletrônica, antenas, frequências e experimentação tecnológica.
Para Bruno Tamancoldi, radioamador de Petrópolis desde 2020, a experiência representa também uma forma de exercer a cidadania.
Bruno Tamancoldi é radioamador há seis anos | Foto: Arquivo pessoal
"Ser radioamador é exercer a sua cidadania, por isso que é a faixa do cidadão. E o cidadão deve ser aquele que está a serviço do outro", afirma.
Durante as enchentes de Petrópolis, Bruno participou da divulgação de informações sobre pontos de apoio, locais de doação de alimentos e água, vias interditadas e rotas consideradas seguras.
Mesmo com o avanço das tecnologias digitais, a radiocomunicação mantém sua relevância por possibilitar contatos diretos sem depender necessariamente de redes de telefonia ou internet. A operação, entretanto, exige equipamentos adequados e, em determinadas situações, fontes alternativas de energia.
Como se tornar um radioamador?
No Brasil, o serviço é regulamentado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para operar legalmente uma estação de radioamador, é necessário obter a certificação exigida e a respectiva licença.
Em 2026, a Anatel aprovou mudanças regulatórias destinadas a simplificar o acesso à atividade e atualizar requisitos técnicos. O Ministério das Comunicações também disponibilizou, em parceria com a agência, serviços digitais para solicitação e acompanhamento de licenças.
Os interessados podem consultar a cartilha oficial da Anatel, que apresenta os procedimentos necessários para ingressar no radioamadorismo.
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