Educação • 17:10h • 04 de abril de 2026
Quadrinhos entram na EJA para discutir assédio e igualdade no trabalho
Tirinhas da personagem Engenheira Eugênia passam a integrar material pedagógico voltado à conscientização social de jovens e adultos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência Brasil | Foto: Fisenge/Divulgação
Estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) passaram a utilizar quadrinhos como ferramenta de aprendizado e conscientização social em 2026, com a inclusão das tirinhas da personagem Engenheira Eugênia em materiais pedagógicos desenvolvidos por pedagogos da Universidade de São Paulo. A proposta busca abordar temas como assédio moral e violência de gênero no ambiente de trabalho de forma acessível e contextualizada.
A iniciativa integra a apostila Práticas de Alfabetização e de Matemática, voltada aos anos iniciais do ensino fundamental na EJA. A personagem Engenheira Eugênia foi criada em 2013 pelo coletivo de mulheres da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros e tem como objetivo dar visibilidade às vivências femininas na profissão, historicamente marcada pela predominância masculina.
As tirinhas abordam situações do cotidiano profissional, incluindo episódios de desqualificação por gênero, além de temas como racismo, ausência de infraestrutura adequada para mulheres em ambientes de trabalho e outras formas de desigualdade. No material aplicado em sala de aula, uma das atividades propõe a análise de um caso de assédio moral sofrido pela personagem, incentivando os alunos a identificar comportamentos inadequados e refletir sobre direitos e respeito nas relações profissionais.
Engenheira Eugênia leva debate sobre violência de gênero para a educação
Além do uso na EJA, os quadrinhos também já foram utilizados em projetos educativos em outras faixas etárias. Em uma ação no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, crianças tiveram contato com a personagem e discutiram a profissão de engenharia, muitas vezes vista como distante de sua realidade. A proposta buscou ampliar a percepção sobre possibilidades profissionais e representatividade.
A Engenheira Eugênia é retratada como uma mulher negra, com trajetória consolidada na carreira e responsabilidades familiares, o que reforça o debate sobre diversidade e a chamada dupla jornada enfrentada por muitas trabalhadoras. Para o coletivo responsável pela criação, a construção da personagem teve como foco aproximar a engenharia de uma realidade mais plural e socialmente conectada.
O projeto já ultrapassou o ambiente educacional, com traduções para outros idiomas, apresentações em fóruns internacionais e adaptações em diferentes formatos, como animações. Em 2016, a iniciativa recebeu o Prêmio Anamatra de Direitos Humanos na categoria comunicação sindical.
A inserção dos quadrinhos no ensino reforça o papel da educação como espaço de debate sobre questões sociais contemporâneas, utilizando linguagens que facilitam a compreensão e estimulam a participação dos alunos. As tirinhas podem ser acessadas diretamente neste link.
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