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Saúde • 13:12h • 22 de abril de 2026

Pós-covid ainda é pouco reconhecida mesmo com evidências científicas

Guia nacional recém-lançado busca orientar profissionais do SUS diante de sintomas persistentes que atingem milhões de brasileiros

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unesp | Foto: Arquivo/Âncora1

Pós-covid ainda enfrenta resistência e falta de diagnóstico mesmo com avanço científico
Pós-covid ainda enfrenta resistência e falta de diagnóstico mesmo com avanço científico

Milhões de brasileiros ainda convivem com sintomas persistentes após a infecção por covid-19, mas o reconhecimento dessas condições segue enfrentando barreiras no sistema de saúde. Estimativas do Ministério da Saúde indicam que cerca de 25% dos infectados pelo vírus Sars-CoV-2 apresentam manifestações meses ou até anos após a fase aguda. Apesar disso, dificuldades no diagnóstico e desconhecimento ainda limitam o atendimento adequado aos pacientes.

Para enfrentar esse cenário, o Ministério da Saúde lançou neste ano o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid, documento elaborado por uma equipe multiprofissional para orientar profissionais do Sistema Único de Saúde. A publicação busca padronizar o reconhecimento, diagnóstico e tratamento de sintomas que podem afetar diferentes sistemas do organismo.

Sintomas variados dificultam identificação

As chamadas condições pós-covid, também conhecidas como covid longa, incluem uma ampla gama de sintomas, como fadiga, problemas de memória, alterações de paladar, dificuldades respiratórias e quadros depressivos. A diversidade de manifestações é um dos principais desafios para o diagnóstico.

Karen Ingrid Tasca, pesquisadora da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu e uma das colaboradoras do guia, explica que a identificação ainda é complexa tanto para pacientes quanto para profissionais. Segundo ela, muitas pessoas têm dificuldade em associar os sintomas à infecção anterior, enquanto parte dos profissionais ainda não reconhece plenamente o quadro.

“A dificuldade está tanto na autopercepção do paciente quanto no diagnóstico por parte dos profissionais de saúde”, afirma a pesquisadora.

Desconhecimento e resistência ainda são obstáculos

Mesmo com o avanço das pesquisas científicas, o tema ainda enfrenta resistência e falta de informação. De acordo com Karen Ingrid Tasca, fatores como desatualização profissional, descrença e desconhecimento da população contribuem para a subnotificação e para a dificuldade de acesso ao tratamento.

Ela destaca que há evidências robustas sobre a existência das condições pós-covid, com estudos científicos consistentes que comprovam o quadro. O desafio, segundo a pesquisadora, está na disseminação dessas informações e na incorporação do conhecimento na prática clínica.

Tratamento exige abordagem individual

O manejo das condições pós-covid não segue um padrão único. Como os sintomas variam de paciente para paciente, o tratamento depende das manifestações apresentadas e pode envolver diferentes especialidades médicas.

O novo guia busca justamente orientar essa abordagem individualizada, oferecendo suporte técnico para que profissionais de saúde consigam identificar os sinais e conduzir o tratamento de forma mais adequada.

Com cerca de 40 milhões de brasileiros já infectados desde o início da pandemia, o avanço no reconhecimento das condições pós-covid se torna fundamental para ampliar o acesso ao cuidado e reduzir os impactos de longo prazo na saúde da população.

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