Cultura e Entretenimento • 17:12h • 23 de agosto de 2026
Postar muito já não basta: o que faz um creator realmente se destacar nas redes sociais
Plataformas ampliam espaço para conteúdos autorais, enquanto repertório, domínio do assunto e conexão com a audiência se tornam diferenciais para quem busca relevância nas redes sociais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova Ideia | Foto: Divulgação
Publicar todos os dias já não significa, necessariamente, conquistar mais atenção nas redes sociais. Com a multiplicação de creators, a entrada de marcas nesse mercado e o uso de inteligência artificial acelerando a produção, o público passou a receber uma quantidade quase inesgotável de conteúdo. Nesse cenário, ter algo próprio a dizer ganha importância diante da repetição de formatos que já funcionaram para outros perfis.
Essa mudança também aparece nas estratégias das plataformas. O relatório TikTok Next 2026 aponta uma valorização de histórias menos filtradas, bastidores e experiências reais. YouTube e Meta, por sua vez, vêm reforçando políticas que privilegiam conteúdos originais e reduzem espaço ou monetização de materiais repetitivos, copiados ou produzidos em massa.
Para Diogo Kobata, especialista em marketing e ecossistemas digitais, frequência, edição e conhecimento das tendências continuam importantes, mas não substituem uma identidade reconhecível. “A facilidade para produzir elevou a quantidade de conteúdo disponível, mas também deixou muitas publicações parecidas. O creator precisa ter uma leitura própria do assunto. Quando a audiência percebe que aquele vídeo poderia ter sido publicado por qualquer perfil, a conexão fica mais fraca”, afirma.
Nicho ajuda, mas não precisa limitar o conteúdo
Ter um campo de atuação definido facilita a construção dessa identidade, sem obrigar o creator a falar sempre sobre o mesmo assunto. Um perfil ligado ao universo fitness, por exemplo, pode abordar treino, alimentação, rotina, comportamento ou negócios, desde que exista uma conexão entre esses temas e a experiência oferecida ao público.
Conhecer bem a própria comunidade também ajuda a escapar de conteúdos genéricos. Comentários, mensagens e perguntas recorrentes podem revelar temas para novas publicações, enquanto salvamentos, compartilhamentos e tempo de visualização ajudam a identificar o que realmente desperta interesse.
Acompanhar todas as tendências pode gerar picos de audiência, mas também dificultar que o público entenda por que deveria continuar seguindo determinado perfil. A especialização, nesse sentido, está menos em repetir um único tema e mais em construir uma perspectiva própria sobre ele.
IA facilita a produção e aumenta o desafio da originalidade
Ferramentas de inteligência artificial já auxiliam creators na pesquisa, organização de roteiros, adaptação de formatos e análise de desempenho. Ao mesmo tempo, tornam mais fácil produzir grandes quantidades de textos e vídeos com estruturas semelhantes.
“A IA pode acelerar a execução, mas a experiência, a opinião e a sensibilidade continuam sendo humanas. A ferramenta ajuda a produzir, enquanto o diferencial vem daquilo que o creator viveu, estudou e consegue explicar”, analisa Kobata.
Essa identidade também pode atravessar diferentes plataformas. Um assunto pode virar vídeo curto, live, podcast ou conteúdo aprofundado sem que o creator precise abandonar seu posicionamento para se adaptar a cada formato.
Seguidores já não contam toda a história
A creator economy também vem abrindo mais espaço para perfis menores e especializados. Para as marcas, o tamanho da audiência deixa de ser o único indicador relevante quando uma comunidade menor apresenta participação, confiança e capacidade de gerar uma resposta concreta.
Em um ambiente com cada vez mais pessoas e ferramentas disputando atenção, o diferencial tende a estar justamente no que é mais difícil de reproduzir em escala: repertório, experiência, conhecimento do assunto e uma relação construída com a audiência.
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