Mundo • 19:47h • 12 de maio de 2026
Portugal endurece regras de cidadania e amplia prazo para brasileiros obterem nacionalidade
Mudanças na Lei da Nacionalidade elevam tempo mínimo de residência legal e podem impactar milhares de brasileiros que vivem no país
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mention | Foto: Âncora1/Direitos Reservados
As novas regras da Lei da Nacionalidade em Portugal passaram a preocupar brasileiros que vivem no país, planejam imigração ou possuem processos ligados à cidadania portuguesa. A legislação amplia o prazo mínimo de residência legal para naturalização e altera critérios relacionados a filhos de imigrantes nascidos em território português.
Com a mudança, brasileiros e demais cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da União Europeia precisarão comprovar sete anos de residência legal para solicitar a cidadania portuguesa por naturalização. Antes, o prazo era de cinco anos.
Para estrangeiros de outras nacionalidades, o período sobe para dez anos. A nova legislação também encerra a modalidade especial de nacionalidade para descendentes de judeus sefarditas portugueses, tema que vinha gerando debates e revisões nos últimos anos.
Brasileiros formam maior comunidade estrangeira em Portugal
O impacto da mudança é considerado relevante porque os brasileiros seguem como a principal comunidade estrangeira residente em Portugal.
Dados do Observatório das Migrações da AIMA apontam que o número total de estrangeiros no país chegou a 1.546.521 no fim de 2024, com expectativa de aproximação de 1,6 milhão após atualização de processos pendentes.
Dentro desse cenário, especialistas alertam que muitas informações sobre a nova legislação vêm sendo divulgadas sem separar corretamente situações diferentes, como:
- Cidadania por residência;
- Nacionalidade por descendência;
- Processos já protocolados;
- Casos de filhos de estrangeiros nascidos em Portugal.
Especialista alerta para decisões precipitadas
Segundo a advogada Evânia França, especialista em Direito Migratório e inscrita tanto na OAB quanto na Ordem dos Advogados de Portugal, a principal preocupação está na interpretação simplificada das mudanças.
“A alteração da Lei da Nacionalidade não afeta todos os brasileiros da mesma forma. Um pedido por residência tem uma lógica jurídica diferente de um processo por descendência, assim como a permanência física em Portugal não se confunde automaticamente com residência legal contabilizável”, explica.
De acordo com ela, a falta de compreensão técnica pode levar famílias a perder prazos, criar expectativas equivocadas ou iniciar procedimentos incompatíveis com a nova legislação.
Mudanças também afetam processos em andamento
Outro ponto de atenção envolve pedidos já protocolados antes da alteração da lei. Segundo informações divulgadas pela imprensa portuguesa, o próprio presidente de Portugal destacou a necessidade de evitar prejuízos para processos que já estavam em andamento antes da promulgação da nova legislação.
Para especialistas da área migratória, o momento exige análise individualizada de cada caso, principalmente em situações envolvendo documentação, tempo de residência e vínculos familiares.
“Cidadania e residência não são produtos de prateleira. São direitos regulados por requisitos objetivos, interpretação administrativa e análise individualizada. Em um momento de mudança legislativa, o cuidado jurídico deixa de ser apenas recomendável e passa a ser decisivo para evitar prejuízos difíceis de reverter”, afirma Evânia França.
Debate cresce entre brasileiros no exterior
As mudanças reacenderam debates em comunidades brasileiras que vivem em Portugal, especialmente entre famílias que planejavam solicitar cidadania nos próximos anos.
Além do impacto jurídico, especialistas avaliam que as novas exigências podem alterar planos de permanência, trabalho e organização familiar de milhares de imigrantes no país europeu.
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