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Mundo • 18:29h • 22 de outubro de 2025

Por trás das luzes: como a tecnologia mantém os aeroportos funcionando sem parar

Com o crescimento do transporte aéreo e riscos de apagões, sistemas elétricos inteligentes ajudam a prever falhas e garantem a continuidade das operações

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Engenharia de Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1

A engenharia invisível que impede o caos nos aeroportos
A engenharia invisível que impede o caos nos aeroportos

Nos bastidores dos aeroportos, cada detalhe precisa funcionar com precisão. Portas automáticas, sistemas de check-in, esteiras de bagagem, iluminação das pistas e, principalmente, as comunicações da torre de controle dependem de uma rede elétrica estável e segura. Quando a energia falha, o efeito é imediato: voos atrasam, conexões se perdem e milhares de passageiros são impactados.

Em abril de 2025, um apagão elétrico de grandes proporções atingiu países da Europa e afetou também o Brasil, provocando o cancelamento de 437 voos e prejudicando 78 mil passageiros, segundo a ANAC. O episódio acendeu um alerta sobre a importância da infraestrutura energética que sustenta o sistema aéreo.

De acordo com a agência, os aeroportos brasileiros movimentaram 73,4 milhões de passageiros entre janeiro e julho de 2025, um aumento de 9,6% em relação ao ano anterior. Com a retomada das viagens, cresce também a demanda por soluções que evitem paradas não programadas — um desafio que depende cada vez mais de automação e inteligência de dados.

Quando prever é melhor do que reagir

Nos últimos anos, os aeroportos vêm adotando sistemas elétricos inteligentes capazes de monitorar, em tempo real, o comportamento da rede e detectar anomalias antes que elas causem falhas. Esses sistemas combinam sensores, algoritmos e conectividade para antecipar problemas e acionar equipes de manutenção de forma preventiva.

Em vez de depender apenas da resposta humana diante de uma queda de energia, os sensores instalados em painéis e subestações analisam temperatura, variações de corrente e picos de tensão. Ao identificar uma irregularidade, o sistema envia alertas automáticos, isola o setor afetado e evita que o problema se espalhe.

Segundo especialistas em infraestrutura elétrica, esse modelo de gestão preditiva está se tornando o novo padrão em ambientes críticos, como aeroportos, hospitais e centros de dados. Ele permite reduzir custos de manutenção e, principalmente, preservar a continuidade dos serviços, algo essencial quando milhares de pessoas e operações logísticas dependem de cada minuto de energia.

A engenharia da confiabilidade

Fabricantes e integradores de sistemas elétricos no Brasil vêm contribuindo para essa transformação. Um exemplo é a adoção de painéis de baixa tensão com sensores e conectividade embarcada, como os utilizados em aeroportos e terminais logísticos de grande porte.

Essas estruturas seguem normas internacionais de segurança elétrica e operam com redundância, ou seja, mesmo que um circuito falhe, outro assume a carga instantaneamente. A tecnologia também permite o acompanhamento remoto via wireless, o que facilita ajustes sem interromper as atividades.

Para o engenheiro eletricista Fábio Amaral, CEO da Engerey Painéis Elétricos — empresa que fabrica equipamentos desse tipo em parceria com a Schneider Electric —, a tendência é que os sistemas elétricos se tornem cada vez mais autônomos e preditivos. “O foco é garantir confiabilidade e eficiência, especialmente em locais onde uma queda de energia representa riscos operacionais e econômicos”, afirma.

Impacto direto na operação aérea

Exemplos recentes mostram como falhas na rede elétrica podem gerar grandes prejuízos. Em março, um incêndio em uma subestação próxima ao Aeroporto de Heathrow (Reino Unido) paralisou centenas de voos. No mês seguinte, um apagão de apenas 90 segundos no Aeroporto de Newark Liberty (EUA) afetou comunicações e radares. No Brasil, o Aeroporto de Vitória (ES) precisou suspender operações por sete horas devido a uma falha na torre de controle.

Além do impacto imediato aos passageiros, os prejuízos financeiros são expressivos. Um estudo da EUROCONTROL estima que o custo médio de atrasos em solo é de €17,78 por minuto, e pode chegar a €100 por minuto quando há interferência no controle aéreo. Um único dia de atrasos acumulados pode gerar perdas de até €20 milhões.

Por isso, a busca por estabilidade energética deixou de ser apenas uma questão técnica: é também um fator estratégico para a mobilidade e a reputação do setor aéreo.

Como resume Amaral, “um aeroporto que não para é resultado de engenharia, tecnologia e prevenção trabalhando em silêncio para que o passageiro nem perceba que algo poderia ter dado errado.”

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