Cultura e Entretenimento • 19:22h • 16 de março de 2026
Por que sentimos prazer em ler histórias que nos assustam?
Autora Daisy Gouveia analisa o fascínio por narrativas de suspense e terror que prendem o leitor até o último capítulo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Matéria Primma Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A atração por histórias que provocam medo, tensão ou surpresa é um fenômeno comum entre leitores. Livros de suspense e terror continuam entre os mais vendidos no mundo, despertando curiosidade sobre um comportamento aparentemente contraditório: por que sentimos prazer em consumir narrativas que nos assustam?
Em artigo sobre o tema, a escritora Daisy Gouveia aponta que grande parte desse fascínio está na experiência emocional provocada pelas histórias. Segundo ela, narrativas com reviravoltas inesperadas e suspense constante ativam no leitor uma sensação semelhante à adrenalina, que mantém a atenção e cria envolvimento com a trama.
Um exemplo recente desse tipo de narrativa é o sucesso da autora Freida McFadden, que manteve uma de suas obras entre as mais vendidas por várias semanas. Embora seus livros não sejam exatamente classificados como terror, a construção de suspense e as mudanças inesperadas na história fazem com que o leitor permaneça preso à leitura.
Na série iniciada com “A Empregada”, já adaptada para as telas, a protagonista se torna o centro de uma sequência de histórias, como “O Segredo da Empregada” e “A Empregada Está de Olho”. A narrativa é construída com base em revelações progressivas e momentos de surpresa, criando o que Daisy descreve como “a química da surpresa”.
Escritora Daisy Gouveia | Foto: TG Studio
Stephen King e os clássicos do terror
No universo do terror clássico, poucos autores são tão associados ao gênero quanto Stephen King. O escritor norte-americano construiu uma carreira marcada por histórias que exploram o medo psicológico, o sobrenatural e os limites da mente humana.
Entre suas obras mais conhecidas está “O Iluminado”, romance adaptado para o cinema em 1980 pelo diretor Stanley Kubrick. Apesar do sucesso da produção, o próprio autor declarou que não ficou satisfeito com a adaptação, pois acreditava que o filme apresentou o protagonista como uma figura perturbada desde o início, enquanto no livro o medo se constrói de forma gradual.
Outro exemplo marcante é “Carrie, a Estranha”, publicado em 1974 e adaptado para o cinema em 1976 sob direção de Brian De Palma. A história aborda temas como bullying, exclusão e vingança, combinando drama social e horror psicológico.
Já “It - A Coisa”, adaptado para o cinema em 2017 e 2019, apresenta o personagem Pennywise, um dos vilões mais conhecidos da literatura de terror contemporânea. A narrativa explora medos da infância que permanecem presentes na vida adulta.
Apesar da fama no terror, Stephen King também escreveu obras com abordagem diferente, como “À Espera de um Milagre”, história que se tornou um sucesso no cinema e mostrou outra faceta do autor.
No Brasil, um dos nomes mais associados ao suspense contemporâneo é Raphael Montes. O escritor ganhou projeção internacional com histórias marcadas por tensão psicológica e reviravoltas narrativas.
Entre suas obras adaptadas para audiovisual está a série “Bom Dia, Verônica”, produzida pela Netflix, além do filme “Uma Família Feliz”. Para leitores que desejam conhecer seu trabalho, Daisy destaca o livro “A Mulher no Escuro”, conhecido pelo ritmo rápido e pela narrativa que prende o leitor até o final.
Segundo a autora, o prazer de ler histórias que provocam medo ou tensão está relacionado à curiosidade humana e à busca por emoções intensas dentro de um ambiente seguro, onde o leitor pode experimentar sentimentos fortes sem enfrentar riscos reais.
Daisy também utiliza suas redes sociais para incentivar o hábito da leitura, especialmente entre mulheres. Com mais de 35 anos de experiência na área da moda, ela escreveu o livro “Costurando Minha História”, no qual relata sua trajetória profissional e seu processo de reinvenção pessoal.
Para a autora, a literatura tem o poder de estimular a imaginação, despertar emoções e ampliar a compreensão sobre diferentes experiências humanas, inclusive aquelas que nos provocam medo.
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